Brinquedo infantil tipo LEGO de firma polonesa imita a Revolta de Varsóvia e a II Guerra Mundial

Fátima Lacerda

19 de dezembro de 2014 | 19h15

Cobiçado presente de Natal para os baixinhos da Polônia, são pedras do tipo LEGO com figuras de soldados do exército de elite de Hitler como também do canhão “Tigre” o mais famoso do exército alemão durante a II Guerra Mundial.

Na concepção da linha de produtos do fabricante Cobi, não faltou nem “o detalhe” da saudação hitleriana. O dono da fábrica, Robert Podles, considera os produtos “de alto valor pedagógico”.

Indicato para baixinhos a partir dos 5 anos de idade, a produtora concebeu os modelos “Pequeno exército”, “II Guerra Mundial” e a “Revolta de Varsóvia”.

Tudo como dantes…

Ao contrário do que seria na ex-parte ocidental da Alemanha, não houve na Polônia protestos contra a fabricação nem mesmo distribuição dos produtos que podem ser encomendados por pessoas do mundo todo, via internet.

Como nas pedras não existe nem o símbolo do SS exposto no uniforme dos soldados, nem nenhuma caveira e nem um símbolo da suástica, as autoridades polonesas fizeram vista grossa.

A ditadura do “real existente socialismo” causou, em vários países, mas visivelmente na Alemanha Oriental e na Polônia uma vista grossa política para fatos históricos que é de estarrecer. Um brinquedo desses, que está sendo vendido à todo o vapor, não causa irritação, desagrado ou pelo menos um questionamento sobre a utilidade desse produto.

Símbolos nazistas geram audiência

Sempre são usados símbolos que remetem ao aparelho do nacional-socialismo, a imprensa está logo a posto, a audiência é garantida, seja porque alguém na Alemanha elogia Hitler porque ele “teria construídos excelentes rodovias” ou quando uma revista que afirma ter encontrado o diário do ditador ou quando algum ministro escorrega na própria lábia e faz alguma comparação com Hitler.

Me lembro que no contexto dos protestos em junho de 2013 no Brasil, o Espaço Sérgio Porto no Rio de Janeiro foi pichado com um painel de Adolf Hitler e Heinrich Himmler, esse último comandante da Schutzstaffel, um dos mais poderosos homens da Alemanha Nazista e figura chave na organização e execução do Holocausto. Os pichadores usaram essa simbologia para protestar contra a forma em que a polícia usou para reprimir os manifestantes nas ruas. Também isso é sinal de imaturidade política e na melhor das hipóteses, desonestidade intelectual além de uma mistura oportunista de alhos com bugalhos sem qualquer diferenciação de forma ou conteúdo. Na Polônia, no Brasil e ainda também na Alemanha, Hilter e Co. são audiência, digo, vendas, garantidas.

http://cobi.eu/de/zweite-weltkrieg