Cai o rei de Espadas, caio o rei de Ouros, cai o rei de Paus, cai, não fica nada!

Fátima Lacerda

10 Maio 2016 | 16h56

Enquanto o Brasil vive um momento, que pela dinâmica, igualmente insana e imprevisível a “Casa Europa”, da forma que foi idealizada por F. Mitterrand, Konrad Adenauer e Helmut Kohl, caiu.

Se o Euro (moeda) não for salvo, o “Projeto Europa vai fracassar”, anunciava Angela Merkel sempre que ela tinha que convencer o parlamento alemão a aprovar mais um pacote de bilhoes de euros para a salvação da Grécia e com isso, mantê-la na UE. O que de fato aconteceu é que os contribuintes alemães sofreram assalto a mão armada para salvar os bancos. A crença pela “Europa custe o que custar” foi, por tempo demais, a oração rezada por Merkel. O que essa teimosia prussiana causou, nós vemos atualmente. Em agosto de 2015, logo depois da coletiva de imprensa que já entrou para a história alemã, a casa caiu.

Inglaterra – Peixe fora d’água

Quando se fala em “Europa”, os protagonistas são sempre Angela Merkel e François Hollande, as vezes o premiê italiano. Até mesmo o populista Viktor Órban está mais no holofote do que o primeiro ministro da Inglaterra. A histeria sobre a saída do Reino Unido da UE é initendível. A imprensa alemã, aquela mesma que segue a dialética do eterno copo vazio, especula se a possível saída do UE causará desdobramentos em outros países.

A Inglaterra nunca foi um membro convicto da UE; mas sim sugava os privilégios de estar “dentro do clube exclusivo”, e sempre batendo o pé no chão e se negando a “tocar na capital financeira Londres”.

Cameron se mostrou, mais uma vez incapaz. Deixou a insatisfação dos britânicos com a UE se tornar de forma tao imensa, que teve que fazer aquilo que os partidos populistas vinham exigindo. Vemos um partido estabelecido como o Labour, tendo que comer grama, morder a maca azeda, como diz um ditado popular e convocar o plebiscito, do qual nem analistas políticos imaginam o resultado.

Na Alemanha – os socialdemocratas

A miséria do partido socialdemocrata, atualmente em coligação como “parceiro júnior” no governo Merkel se mostra mais sujo do que intriga de novela mexicana. Seu diretor, Sigmar Gabriel, que atualmente soma os cargos de Ministro da Economia e Vice-Chanceler está com a corda no pescoço. O SPD vem desabando nas pesquisas de intenção de votos, mesmo tendo sido o protagonista na implementação do salário mínimo entre outros relevantes progressos sociais. Gabriel muda a sua opinião como muda de camisa. Sempre como lhe apetece. Gabriel é um Merkel de calcas, mas sem os nervos de aço da chanceler. Ele é estourado, vaidoso. Com as pesquisas de intenção de votos para as próximas eleições federais em setembro de 2017 no nível de 20%, Gabriel está sobre a mira de seus adversários dentro do próprio partido. As manchetes de “vontade de renunciar” vão alimentando as notícias e as redes sociais. Gabriel é gordo e por isso, motivo constante de zoeira por natureza e claro, pelos programas de sátira na TV. Seu jeito arrogante e o fato e de sentar à mesa com ditadores e antidemocratas em prol da economia alemã, angaria mais. Gabriel é um político vira-casaca. Seus dias como chefe de um partido com mais de 100 anos de existência estão contatos. É só uma questão de tempo para que Frank-Walter Steinmeier, atual Ministro das Relações Exteriores ou o também socialdemocrata Olaf Scholz, atual prefeito da cidade hanseática de Hamburgo, assumam o seu cargo. Steinmeier goza de grande popularidade na população: um cara comedido, um excelente diplomata, um homem de conciliação e permanente abertura do canal para diálogo é o melhor que os socialdemocratas tem para oferecer no momento.

Os Verdes

A miséria dos Verdes tem duas origens: a primeira é que Merkel roubou do partido, suas pilastras programáticas: a chanceler atestou a “Questão do Meio Ambiente e da Energia Atômica e sua renovação” como Chefsache, competência da chefe. A questão do LGBT não é mais tao “exótica” assim como no tempo em que os verdes começaram a vendar o que muitos denominam de “obrigatoriedade” de ser diferente.

Em recente convenção nacional, o chefe do partido, Cem Özdemir, de descendência turca, mas criado na cidade de Stuttgart já sinalizou a probabilidade de coalizão com o CDU de Merkel, o que no linguajar midiático é chamado de “coligação preto verde”. Özdemir, que é só elogios para a ex-candidata a presidente, Marina Silva, desde sua muito bem paga palestra para toda a diretoria do partido em 2011, quer ser vice-chanceler de qualquer jeito. Özdemir, que é casado com uma jornalista argentina é o divisor de águas de uma premissa que valeu durante décadas que os “verdes são os melhores seres humanos”. O parlamento do bairro de Kreuzberg, tradicionalmente vermelho, revolucionário e reduto dos Spontis, adeptos da chamada “política espontânea” viajam na maionese do pueril, convocam passeatas para a preservação das abelhas, que estão morrendo em Berlim e tem a pior equipe de sua história para disputar as eleições regionais em setembro próximo. Essa mesma turmase achado super “espontânea” não gosta do Cem. O Christian me contou de um episódio de grande caráter simbólico. No início da gestão de Özdemir no cargo, houve uma passeata contra a energia atômica para a cidade de Gorleben, localizada na Baixa Saxônia. Cem foi no ônibus e, durante todo o percurso, ninguém dirigiu uma só palavra a ele. Sinal mais transparten, impossível. São esses kreuzberguianos que o odeiam por querer coalizar com o  CDU, partido do centro-direita de Merkel. O pós-globalizado tornou a política algo bem menos ideológico do que na época de Franz-Josef Strauss, o DARKVATER, da Baviera, do socialdemocrata Helmut Schmidt e do centro-direita Helmut Kohl, o “Chanceler da Unificacao”. Angela Merkel sabe executar de forma exímia o jogo político que vira cada vez mais um business operativo. Você chega no escritório, constata as pendências e arregaça as mangas para começar a resolvê-las. Na gestão de Merkel (mas não só a dela) o fator ideológico é secundário. O que a chanceler, entretanto, prega são “valores europeus”, que não valem mais nada em dias em que a casa esta desabando. Até mesmo a dobradinha Merkel-Hollande está discordando sobre modalidades e números de como salvar, de novo, a Grécia. A unidade na Europa com um denominador comum é coisa do passado. Agora, quem dirige as embarcações são os partidos populistas de direita como também aqueles que se movimentam fora do âmbito constitucional. A tocha política, agora, está com eles. Os partidos estabelecidos se acomodaram por tempo demais na zona de conforto e nos parâmetros de “suas” ideologias e agora quem vai pagar um valor caríssimo, é a democracia. 

Terra Brasilis

Em matéria veiculada ontem, 09, no portal Spiegel Online, Jens Glüsing, correspondente no Brasil, foi taxativo com a manchete: “A corja de intrigantes do Brasil”.

Enquanto alguns governistas ainda comemoravam a postura do deputado Waldir Maranhão em anular a votação do Impeachment, o próprio já havia capitulado e acuado por “forças ocultas”, voltou para a estaca zero e agora pediu até quarta-feira (11) para decidir se vai renunciar. Não é preciso ter bola de cristal para saber que, até lá, ele “vai ser bem trabalhado” para fazê-lo Já houveram outras épocas de ética e dignidade com os órgãos do executivo e do legislativo no Brasil. Agora, vale tudo!.

Enquanto isso…

A (ainda) presidenta Dilma Rousseff continua mantenho sua rotineira pedalada diária, o que num primeiro momento pode parecer uma saudável teimosia. Observando mais atentamente as deliciosas pedaladas matinais, Dilma exibe, mais uma vez, a sua falta de soberania a de assessores de cabeça fria, além de uma política tipicamente petista: a de fazer vista grossa. Causa, no mínimo, estranhamento, ver uma presidente que está quase tendo que arrumar a sua escrivaninha, pedalando como se nada estivesse acontecendo. Eu, que sou a última pessoa que tem algo contra pedaladas no melhor meio de transporte que é a bicicleta, mas vista grossa, tem limites.

A dinâmica insana do caos regente atualmente no Brasil exibe similaridades com os últimos dias antes da queda do Muro e as horas seguintes. A imprensa divulgava um fato que somente 1 hora depois já havia se tornado obsoleto.

Crise de valores

O vírus, ainda mais poderoso do que o da Dengue, da Zica e o da Chikungunya é o vírus que acomete a Europa e o Brasil. Em intensidades similares: o vírus de um verdadeiro desabamento de valores em que acreditamos e premissas nas quais nos orientamos durante tempos. Se a Grécia será salva, mais uma vez, isso não terá impacto mais nenhum em nossas vidas, mesmo que Merkel insista na divulgação do apocalipse que se a Grécia não se recuperar, a “Casa Europa” vai cair. Frau Merkel, a Casa Europa já caiu! É só dar uma olhadinha rápida para o vizinho Polônia, para Hungria, Dinamarca e na Áustria, onde foi anunciada segunda-feira (09) a renúncia do seu chanceler,  Werner Faymann. O tsunami político por lá, também vai bem obrigado. O primeiro ministro da Turquia, Ahmet Davutoğlu, já consta na lista negra do déspota Erdogan, aquele que obrigou a UE a ajoelhar e beijar seus pés e em contrapartida consegui facilidade no requerimento de visto para seus “súditos”. Assim como no Brasil, os abrutes, secos pelo poder, já estão a prontos para serem empossados. Lula procura Renan, que procura Temer, que procurou Cunha. Agora, Lula não da uma de Glória Pires e nao está disposto a procurar o Renan. Renan, ignora os ventos da Câmara dos Deputados e faz como diz um ditado popular daqui: “Cozinha sua sopinha sozinho”.

O Brasil (e verás que o filho teu não foge a luta) irá atravessar esse tsunami político, mas não sem imensas sequelas em forma de desapontamento, frustracao nos ideias, perda de valores, de confiança na política e “naqueles lá de cima” que votam pela família e que, na sequência, mandam um zap para suas amantes dizendo, “foi mal, querida””

A crise de identidade, a crise sobre quem somos e sobre em que mundo queremos viver, já está em toda a parte. Déspotas e radicias islamistas nos proíbem de visitar os mercados de temperos de Damasco, ir à cidade histórica de Palmyra, como também de ouvir o canto matinal das freiras na Sacre Couer na capital das capitais da exuberância e da beleza estética: Paris!

Não vale as frases exibidas nas paredes do “Museu do Amanhã” localizado no centro do RJ e parte do projeto de renovação urbana, o bebê de Eduardo Paes, o “Porto Maravilha” no RJ. Aquilo é coisa pra inglês ver e a programação “bonitinha” exibida dentro do museu é um passar tempo para a família num dia de domingo para distrair e manter as crianças ocupadas “com novidades”. A vista de tirar o fôlego, guardada para o final do percurso pelo museu não poderia ser mais paradoxa. A sujeira boiando na superfície da Baía de Guanabara, aquela foi detestada pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss.

Talvez nós, de lá e de cá, estejamos escolhendo os piores de todos os caminhos: de um lado, impondo a crença num partido com um absolutismo pérfido como se fosse uma religião, uma seita, verdade absoluta e incontestável para todo o sempre ou o de adotar uma posição escapista perante tudo aquilo que acontece ao nosso redor, como certa vez refletiu Arnaldo Jabor em seu comentário no Jornal da Globo: “O futuro, a Deus pertence!”, abdicando assim de sermos sujeitos e determinantes do nosso próprio caminho para com a tolerância e aceitação de quem escolhe por um outro que não seja o nosso. E quando eu penso na massa da mandioca, Mãe…Na Massa!!!

Se nos deixarmos levar seja pela radicalidade do partido AfD, (Alternativa para a Alemanha) que mantém a forma bonitinha, mas o conteúdo tem somente o intuito de instigar o ódio e dividir ainda mais a sociedade entre alemães e estrangeiros, católicos e muçulmanos, judeus e árabes, hétero- e homossexuais ou se vamos sair na rua linchando quem não veste a camisa vermelha, como atualmente no Brasil e na Alemanha na época dos ano ’70, no auge do Exército da Fração Vermelha (Rote Armee Fraktion, em alemão) e a massificação blitz dos acontecimentos rasante mundo web.

Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranqüilo
Haja o que houver pense nos seus filhos

Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida

Aaaaaaaai . . .

Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade, eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço

Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias

Aaaaaaaai . . .

Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada

Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada

Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada

Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada

Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada

Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada