Cidades de Leipzig e Munique decretam fim da propaganda sexista

Fátima Lacerda

12 Outubro 2018 | 17h04

 

Há dois anos atrás, numa das sessões do parlamento local dos Verdes no bairro de Kreuzberg os ânimos estavam exaltados mais do que o normal. O bairro de Kreuzberg sempre foi craque em desobediência cívica, desde o tempo em que o Muro de Berlim separava a cidade, mas no quesito “Propaganda sexista” são outras cidades que esbanjam eficiência nas decisões firmes em proibir e enviar um sinal bem claro para as empresas.

“125 anos de evolução” atesta a empresa Bosch, fabricante e máquinas de lavar insinuando que a tarefa da roupa limpa e da mulher. Na era digital em que vivemos, esse cartaz resultaria num Shitstorm nas redes sociais. Na modernidade, o sexismo se tornou menos espaçoso como Marketing de venda, mas ele continua presente. Mais sutil, mais velado.

O motivo dos ânimos exaltados na porta da Prefeitura, quis eu saber. “Propaganda sexista”. Claro, que os mais alterados eram homens, indignados com tantos “mimimis”. Uma sessão so parlamento local acabara de terminar. Membros dos Verdes discutiam calorosamente enquanto fumavam cigarro parra afastar a ansiedade. Enquanto o bairro de Kreuzberg, assim como a cidade de Berlim, vão protelando o inevitável, são as cidades de Leipzig (leste do país) e Munique, capital da região da Baviera que vão delineando os caminhos.

Venha buscar a sua nova. A gente fica com a velha

Em maio passado foi a vez da cidade natal de Leipzig em proibir a veiculação de propaganda sexista em outdoors administrados pela prefeitura. Nesta semana, foi Munique, capital da região católica e conservadora da Baviera (sul do país).

@Haag

Como tudo iniçiou

Há dois anos atrás, um Outdoor em Munique exibia a modelo brasileira Adriana Lima quase nua, vestindo um modelito da coleção de praia da grife italiana Calzedonia. O Outdoor de 114 metros quadrados estava postado em frente a livraria Hugendubel na Praça Marienplarz, a mais importante de Munique. Foi nesta mesma época que o parlamento local de Berlim discutiu sobre a pauta controversa e divisora de opiniões.

 “Não somente para uma só noite”

Unanimidade

O conselho da prefeitura de Munique tomou a medida por meio de votação por unanimidade, sem perrengues partidários. Tobias Rudf, um dos membros do conselho, queria aproveitar a onda e também sacramentar a proibição de propaganda de bebidas alcoólicas e cigarro, mas na cidade-anfitriã do Oktoberfest, esta medida levaria os donos de cervejarias ao desatino. Também a venda de bebidas alcoólicas resultam em bem-vindos impostos as caixas da cidade.

O que dizem os Bávaros?

Kirsten M. De 50 anos, Especialista de informática, declarou ao jornal Münchner Tageszeitung: “Eu não me importo! Nas propagandas eu não vejo um incitar de consumo de álcool e nem de sexismo ou mesmo imagens instigando o consumo de cigarro.

 “Propaganda sexista”:sexismo embutido na apostila escolar”

Berlim e seu parlamento de bairro, ainda se encontram no processo de definição de o que é “propaganda sexista”. Os Conselheiros em Munique, depois de horas de debate antes da votação, atestaram:

A propaganda pode ser definida de sexista quando o apelo sexual é usado sem estabelecer um contexto”. No exemplo da propaganda da Caledonia, viu-se a modelo reduzida a estereótipos de beleza, sedução e apelo sexual através de sua silhueta e seu corpo escultural.”

Em toda essa discussão tem uma pitada de exagero no destrinchar dos detalhes e seus potenciais de interpretação (o que e muito necessário), mas é melhor assim do que um olhar menos atento para a ueber-sexualização das mulheres como garotas-propaganda num mercado dominado pelos interesses econômicos assim como pela dicotomia entre oferta e procura. A forma mais simples e bem menos burocrática de evitar a propaganda sexista depende das mulheres em usar suas forças como consumidoras, suas forças econômicas e não se deixar levar pelo apelo da compra de um produto e sim, do bom senso, mesmo porque, o privado é politico.