“Domingo”, filme mexicano encanta Berlim no festival que une Cinema e Futebol

Fátima Lacerda

04 Abril 2017 | 09h19

Domingo

O diretor mexicano Raul Lopez Echeveria escreveu e dirigiu um curta-metragem que une dois ingredientes irresistíveis: a paixão incontida pelo futebol e um tempero latino-americano: a superação. A capacidade de cair e se levantar e começar tudo novo. Quantas vezes for preciso.

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Foi “Domingo”, o filme que convenceu o júri do festival “11 mm”, entre eles, o crítico de cinema Alfred Holighaus, o atual craque do Hertha Berlin, Salomon Kalou (que no formato documentário teve se filme “Kalou, o querido elefante”, premiado pelo júri popular, o jogador Arne Frederich, ex-Hertha e ex-Nationalelf, Anne Lepin, membro da Academia Alemã de Cinema e Kerstin Ott, cantora e amante do futebol.

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Eduardo Covarrubias, um homem de teatro eprotagonista de “Domingo” acalenta o sonho de ser narrador de futebol. Religiosamente, ele pratica no campo onde, todos os domingos, seus amigos jogam uma pelada. Ele narra o jogo e grava, meticulosamente, em seu armário que comporta inúmeras fitas cassete e vídeos VHS.

Uma mãozinha e uma fita-cassete 

Seu amigo conseguiu emprego de porteiro no prédio da Rádio local. Domingo deixa com ele uma fita gravada e o pede para entregar ao diretor de esportes. O amigo de vizinhança nega dar a cara pra bater e além do mais, ele deveria disponibilizar o conteúdo num “arquivo mp…”, argumenta estar em período de experiência e garante que não ha interesse por parte do diretor. Os dois iniciam uma briga pela fita cassete que Domingo quer ter de volta.

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Acampado em frente ao prédio da rádio, ele consegue, enfim, uma oportunidade para fazer o teste. E como novela e nem filme mexicano tem final feliz, o acaso passa uma perna na hora mais importante da vida de Domingo. O que segue é frustração, raiva e impotência. A vida que segue e comecer de novo também são lemas que se encontram frequentemente em países latinos. E Domingos não faz diferente. O filme também não economiza em momentos hilários, tomados pelo diretor como entrevistas “cruas” e com entrevistados ocupando quase todo o Frame enquanto “filosofam” sobre táticas futebolísticas ou reclamam do estado do campo (que nem gramado tem), onde jogam as peladas domingueiras. Tem também a insatisfação com a falta de camisas “Você acaba dando a bola pro cara errado!”, reclama um dos entrevistados.

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Na noite de entrega de prêmios, “Short-Kicks”, segunda-feira (03), o diretor não estava presente em Berlim. Quem o representou foi um dos diretores do festival, Christoph Gabler, que segundo o apresentador da noite, “em breve estará pegando um trem para o México e deve chegar lá em 6 semanas”. Christoph, diplomático, sorriu sem dar mais detalhes. Mas todos os caminhos levam ao México.

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Antes do final da cerimônia, um apresentador divulgou ao microfone: “Tem cerveja de grátis”. No saguão do cinema, via-se espalhados, no chão, engradados de cerveja. Numa outra esquina, água mineral sem gás ainda com o plástico involucro. A cerveja estava “quente”, alguém contou. Em Munique, e muito menos no Brasil, a cerveja quente ficaria no chão e dentro do engradado. Mas em Berlim, acostumada com guerras, revoluções, motins e muita pobreza, tudo vale. Até mesmo cerveja quente. De graça, até injeção na testa e isso também consta em Berlim.