Espetacular assalto à joalheria dentro da loja de departamentos mais famosa de Berlim

Fátima Lacerda

20 de dezembro de 2014 | 19h19

Kadewe-format1.jpg ©Reuters

Às 10:30 (horário local) 07:30 hs no horário de Brasília 4 mascarados adentravam a KaDeWe, localizada na chamada City-West.

No sábado mais importante do ano para o setor de comércio, 3 homens e uma mulher entraram pela porta principal da alameda de comércio Tauenzienstraße. Quando os percebeu, o segurança tomou postura de bloquear a entrada e gritou “Assalto, Assalto!”, publica o jornal berlinense Tagesspiegel.

 KaDeWetitle.jpgSeiteneingangKaDeWe.jpg©Steffen Pletl

Por acaso (ou não) eu acabei sendo testemunha da confusão que parou a rua mais movimentada do ex-centro de Berlim ocidental, área de comércio e turismo.

Como essa área é mais afastada da minha casa, sempre junto vários pepinos antes de me “deslocar” para o bairro de Charlottenburg. Hoje foi um dia desses. Fui aqui, peguei um aparelho do conserto e decidi aproveitar a ida à “cidade”  comprar o palmito para o arroz da noite de Natal. Quando o palmito trazido do Brasil acaba ao longo do ano, o jeito é encarar o sexto andar da KaDeWe, um paraíso culinário e gastronômico onde econtram-se produtos de todo o mundo.

Parada no sinal com a bicicleta, já avistei uma muvuca na frente da famosa loja. Carros de corpo de bombeiros, muita polícia, câmeras de TV e fotógrafos. Levei a bicicleta ao asfalto. Perguntei à uma mulher que estava na calçada: “O que aconteceu aqui?”, “Não sei”, respondeu. Eu sorri um sorriso desapontado ao mesmo tempo que percebendo o Deja vù tipico desses momentos urbanos. Olhei para o lado, um homem e uma mulher. Perguntei ao cara: “O que houve?”. Stefan (46) mora em Nuremberge e está passeando em Berlim, informou em detalhes: “Estava tomando um café no paraíso gastronômico. De repente notei que a mulher ao meu lado começou a tossir. A outra do outro lado do balcão, também. Uma funcionária passou e também tossia. Eu na realidade sou muito sensível a todo o tipo de cheiro, só que não senti nada nas narinas, mas senti um clima estranho que me fez levantar e sair dali”. Uma outra mulher, impedida de fazer compras, reclamou: “Eu sou de Brandemburgo (cidade vizinha). Meu marido ganha todos os anos voucher de sua firma e eu os venho gastar aqui. Vim de longe e acontece isso”. Enquanto fui procurar informações, a mulher de Brandemburgo, que acabara de finalizar um telefonema, reportou: “Acabei de ouvir da minha filha que na mídia está sendo divulgado que foi assalto de mascarados e que eles saíram pela porta lateral num carro preto.”. Stefan teve sorte. Nem presenciou o assalto, nem sofreu com o gás e, seguindo seu instinto, se saiu literalmente muito bem.

O assalto ocorreu no térreo da loja, onde está localizada entre outras, a joalheria Christ. A diretoria da loja já informou que o seguro já fixou o valor roubado. 1 Milhão de euros em jóias roubadas, principalmente relógios da marca ROLEX.

15 pessoas foram atingidas pelo gás que se espalhou pelo sistema de ventilação e medicadas pela equipe do corpo de bombeiros. O segurança teve que ser levado para um hospital.

Uma história de 107 anos, simbologia de templo de consumo da Berlim Ocidental e símbolo da ostentação de fartura e luxo do ocidente (em contraponto à pobreza da parte oriental da cidade na época da cortina de ferro) a KaDeWe tem fama mundial com seus 60.000 metros quadrados e aproximadamente 50.000 visitantes por dia. Não é a primeira vez que joalherias, que tem suas lojas no térreo do templo de consumo, foram assaltadas. O roubo mais espetacular foi, também na loja da Christ, em janeiro de 2009, quando dois irmãos gêmeos entraram pelo telhado, protagonizando o assalto do século, que jamais foi esclarecido, já que o teste de DNA de um dos gêmeos não comprovou o envolvimento.

Esses assaltos espetaculares e com nenhum pudor frente ao número de pessoas nas lojas é muito raro na Alemanha, especialmente devido ao forte poder judiciário e a polícia. Entretanto, os assaltos de grande impacto veem crescendo no país. Enquanto o assalto em 2009 foi quando a loja estava fechada, o de hoje, foi em pleno início das compras do sábado antes do Natal.

A imprensa berlinense questiona o por que de um assalto em momento de loja cheia, já que isso possiibilita um número considerável de testemunhas. Em contrapartida, o efeito de choque causado nos clientes os deixa paralisados.

 

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