Jornal britânico “The Times” elege Angela Merkel a personalidade do ano

Fátima Lacerda

26 de dezembro de 2014 | 12h36

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“A mulher que precisamos num mundo cheio de homens perigosos” divulga o portal do jornal conservador britânico.

Especialmente pela habilidade diplomática no conflito entre Rússia e Ucrânia, a chanceler alemã foi escolhida como a personalidade do ano.

“Pelo seu papel central na preservação da estabilidade europeia, num momento em que ressurge a agressão russa no leste europeu”, justifica o jornal e acrescenta: “Em muitas horas de conversas diretamente com o chefe do Kremlin, Vladimir Putin, Merkel tentou limitar as vaidades do líder russo. Com o auxílio da chanceler alemã, o ocidente permaneceu focado nos seus valores e reconheceu, porque vale a pena lutar por eles. Merkel é a mais competente política da Europa e a mulher mais poderosa do mundo”.

Dobradinha de cargos

Quando Merkel atua em palcos europeus, não é o papel de chanceler que está em foco, mas o de mediadora entre as vaidades masculinas de governantes europeus.

Merkel marca pontos perante aos alemães quando volta pra casa de alguma missão “na Europa” (assim é chamado o palco de Bruxelas) com um sorriso de vitoriosa, ratificando mais uma vez, que é ela que dita as regras da UE. O “aparato de Bruxelas” já é, tradicionalmente, motivo de gozação pelos alemães. Enquanto o gigante burocrático que unificar a qualidade da manteiga ou definir se o pepino deve ser envergado ou não, é Merkel que decide o que realmente atinge e influencia diretamente a vida de milhões de europeus.

O outro lado da moeda é que o oficial Ministro das Relações Exteriores, o socialdemocrata Frank-Walter Steinmeier, fica como um figurinha, sobre como um serviçal para os afazeres menos glamorosos, por tras das cortinas. Steinmeier é, sem dúvida, um brilhante diplomata e executa com esmero o estritamente estipulado pela sua patroa. Entretanto, não há como não constatar o aspecto “secundário” do Ministro no exercício do cargo.

Os alemães que não votam em Merkel se mostram irritados com a sua superdominância política. Outras vozes, menos democráticas, como por exemplo dos participantes das passeatas convocadas por “Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente” expressam a vontade que “a Alemanha olhe mais para o próprio umbigo”, como se isso, frente ao posicionamento geopolítico do país fincado no centro a Europa, fosse possível.

Sem vaidades

Merkel não é uma mulher de se deixar impressionar por esses prêmios, não pelo fator vaidade por si só. Entretanto, ela sabe do valor estratégico dessas premiações, principalmente se elas veem do estrangeiro como reconhecimento do seu “servir” à Alemanha, como ela mesmo denomina o seu ofício. Prêmios como esses do “The Times” servem para calar os críticos de que ainda restaram e asfaltar o caminho. Com notória capacidade estratégica, Merkel vai usar os frutos dessa premiação. Essa condições são sempre bem-vindas, bem al gusto de Madame Merkel, pois possibilitam um trajeto sem delongas. Sem atropelos.

Só é procedente em falar de vaidade quando se refere à Merkel, quando essa vaidade se resume em continuar governando, numa permanente força de tarefa para se manter no poder. Por isso, quanto menos impecílios, críticas e lamentos, melhor, assim prescreve o credo merkeliano

 

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