Lollapalloza em Berlim na área verde “Treptower Park”. Acompanhe em tempo real!

Fátima Lacerda

10 de setembro de 2016 | 09h21

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A Berlim depois da queda do Muro se difere da forma antagônica possível da Berlim respectivamente capital do Reino da Prússia (1701), do Império Alemão (1871-1918) onde a disciplina e a meticulosidade faziam parte intrínseca dos âmbitos administrativos.

A Berlim de hoje, depois de Roma, é a capital mais caótica da Europa, não leva tanto à sério as premissas de outrora. Pode-se até ver similaridades com o “jeitinho brasileiro” e das medidas de última hora, as medidas na tangente. Assim foi a dinâmica de caráter de suspense e nada menos dramático da edição de 2016 an capital. 

Lollapalloza – O primeiro capítulo

Há um ano atrás, quando o mês de setembro, mesmo ensolarado já anunciava a chegada do outono, a primeira edição do “Lolla” na Europa se tornaria, além do Argentina, Brasil, Chile, (sem contar a “matriz” Chicago) o quarto solo escolhido pelos organizadores. Berlim, a capital da música eletrônica, solo favorável para mega festivais parecia o lugar perfeito.

A primeira ediçãço em 2015 aconteceu em Tempelhof, ex-aeroporto das forças militares norte-americanas na época da Berlim dividida e que depois da queda do Muro se tornou um aeroporto de voos comerciais dando a Berlim um status über privilegiado de ser uma capital com um aeroporto operando no miolo da cidade. Depois do fechamento de Tempelhof em dezembro 2008, ele virou palco de feiras como a Bread & Butter (de moda) e da POPKomm (feira de música).

O tempo passou

A Popkomm foi extinta. A Bread & Butter fez uma “pausa” por falta de expositores interessados em alugar estandes. No final de 2015, devido ao número recorde de refugiados que chegaram à Alemanha, o Tempelhof se tornou um sentido infinito enfileirado de contêineres para refugiados que espera a definição de seus destinos. Berlim mostrouimensa dificuldade em abrigar os refugiados, mostrando grande falta de estrutura e de competência no âmbito de cidade-estado num governo chefiado por um social-democrata. Essa dinâmica tornou Tempelhof impraticável para a segunda edição do “Lolla” e para os fins que estava sendo utilizado até a chamada “Crise dos Refugiados” exigir flexibilidade e rapidez para acomodar os recém-chegados. 

A dialética berlinense 

A Berlim de hoje, no âmbito de cidade-estado (e não como capital da República) se caracteriza por projetos de elefante branco, fracassos políticos que resultaram anos de contabilidade no vermelho além de terem custado a cabeça do então prefeito Eberhard Diepgen. Ele e o chefe da bancada do seu partido, Klaus Landowsky quase levam Berlim à ruína. Tudo ficou por isso mesmo e em 2013 Landowsky foi, juridicamente, habilitado já que os processos que ainda corriam contra ele foram, todos, arquivados. 

A GmbH Tempelhof Projekt firma sob o teto do “Senado de Berlim” com a qual o festival tinha contrado de permissão de uso da superfície do ex-aeroporto ficou na saia justa e correndo contra o tempo para oferecer alternativas. O Areal do Estádio Olímpico não foi aprovado pelos organizadores e a superfície do ainda não finalizado Aeroporto, o BER, perdeu pela longura do miolo da cidade. O terreno do BER, fica na cidade vizinha de Brandemburgo.

Quando começou a circular pela imprensa local sobre a possibilidade do megaevento ser no “Treptower Park” uma área verde que acaba de ser restaurada,, a iniciativa de moradores do bairro e das adjacências do parque iniciaram uma petição na plataforma change.org “contra o “Lolla” em sua vizinhança . Em agosto, o número de assinaturas era de 6000. O agravante na “opção Treptower Park” era também a sua proximidade ao Memorial Soviético que também é um cemitério onde estão enterrados 5 mil soldados que foram eternizados como heróris nesse parque.

Sob o forte e imprevisível efeito da cerveja ou (como diz o Christian) “Vitamina B I E R” não se sabia o que poderia acontecer com os túmulos e quando não se sabe, conta-se sempre com a pior das hipóteses, o Worst Case, tão a cara de Berlim.

Entretanto, os partidos do Senado de Berlim se mostram, inusitadamente, de acordo, que uma cidade como Berlim “vive desse tipo de eventos” como declarou a parlamentar do Partido Verde, ao mesmo tempo que também concorda que a edição desse ano na área verde é uma “medida de emergência” e que a médio prazo o ex-aeroporto de Tempelhof “precisa volta a ser um espaço cultural e de criatividade”. De fato: Não há locação melhor e mais predestinada para o “Lolla” como o areal do ex-aeroporto. A vista da silueta da cidade plana e toda a simbologia histórica fazem desse local, imcomparável com qualquer outro para esse tipo de evento.

Lixo, bebida, barulho

Os moradores do bairro de Treptow (ex-parte leste da cidade) tentaram fortalecer suas vozes com o argumento de volume de lixo a ser deixado pela juventude hippie e transviada, assim como as garrafas de cerveja e o barulho. Só as passagens de som resultariam num barulho de 90 decibéis. Para ir ao encontro dos moradores, os organizadores do “Lolla” criaram uma linha telefônica para entre 150 e 200 moradores, os oferecendo uma estada paga em um hotel durante todo o fim de semana, incluindo o café da manhã, claro ! Quase ninguém manifestou interesse. Olha a dialética berlinense ai! Reclamar, contestar, questionar é intrínseco. Faz parte, mas na hora de vislumbrar a solução que dizima todo o motivo para reclamar, perde a graça. Neutraliza.

O departamento administrativo do Senado de Berlim Para assuntos de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente estipulou o número de decibéis da seguinte forma: Durante as passagens de som, serão permitidos 65. Nos dias de shows, 90. Para “eventuais” atos de vandalismo, os organizadores do “Lolla” deixaram em depósito um valor em dinheiro não divulgado pela imprensa. O aspecto cultural-financeiro venceu.

O resultado

Ao contrário da primeira edição, quando o verão berlinense já´tinha cara de outono, esse ano o verão apareceu no final de agosto com temperaturas constantes em torno dos 30 graus e no formato, o sol nunca mais vai se pôr,

Para um festival que até o final de agosto ainda não tinha lugar para acontecer, o “Lolla” vem com uma programação de responsa. O melhor de tudo é que você ou qualquer pessoa do mundo pode acompanhar ao vivo, em Livestream, quando os “Lost Frequencies” “Martin Solveig”, os encantadores irreverentes dos Balcãns, “Dubioza kolektiv” e dos “Nothing but Thieves“, os rapazes sarcásticos de Essex entrarem em cena.

Sem qualquer dúvida o melhor act de todo o fim de semana é “Radiohead” que já marcou presença na edição de Chicago em agosto passado e por nenhum acaso aparece em letras garrafais na lista de Line-Ups da edição berlinense.

Os ingressos que valem para os dois dias tem os preços de 119, 139 e 149 Euros. Os denominados pelos marqueteiros como „Early Birds“ que garantiram o ingresso com antecedência, pagaram o valor de 119 Euros (aprox. 436,00 reais).

Ingressos para um dia e que também estão esgotados, foram vendidos pelo valor de 79,00 euros (aprox. 290.00 reais). Agora só tem ingresso para a „Lolla Club Night“ que da direito a conferir 15 clubes noturnos depois do término dos respectivos shows na área verde do “Treptower Park” de dar continuidade à interminável noite berlinense.

Os ingressos da categoria Vip & Platinum com os respectivos valores salgados de 250 e 500 (aprox.1.830) reais euros também estao esgotados. O Platinum oferece, além de entrada separada, uma vista privilegiada do palco, „Drinks exclusivos“, bebida e comida de grátis, wi-fi, cofre para depositar objetos de valor  além de uma área de Wellness além de um „Lounge para relaxar“.

Links relacionados:

http://www.lollapaloozade.com/

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