Merkel é eleita pela sexta vez a mulher mais poderosa do mundo pela revista Forbes

Fátima Lacerda

08 Junho 2016 | 07h43

Pela sexta vez consecutiva, a poderosa semanal Forbes coroou a chanceler alemã como “Mulher mais poderosa do Mundo”, Merkel deixou para trás, no segundo lugar, Hilary Clinton, que acaba de ser eleita candidata dos Democratas à presidência dos EUA.

O que a revista Forbes desconhece…

Enquanto dentro de casa a chanceler sofre severas críticas vindas de todas as partes do universo partidário, incluindo a fração mais conversadora do seu partido, o CDU sobre a adotada política dos refugiados, os editores da Forbes se mostram encantados exatamente  com o “aspecto humanista” de Merkel. “Ela conseguiu empresariar imensos desafios da União Europeia e conduziu a Alemanha durante a recessensao”. O maior feito de Merkel segundo a revista é a abertura da Alemanha para 1 milhão de refugiados da Síria e de países islâmicos” num approach, segundo a revista, “humanista”.

Da chanceler com fama de “calculista”, “fria como gelo”, virou a humanista. De fato. Depois da experiência com Reem, a menina palestina que ao vivo na TV questionou Merkel sobre a perspectiva de sua família de poder permanecer a longo prazo na Alemanha para criar uma “perspectiva” que Merkel virou a página. As imagens da entrevista correram o mundo atestando à chanceler como “fria” e “incapaz de qualquer empatia”. Tudo indica que exatamente aquela entrevista causou em Merkel uma mudança de paradigma. Aquela que só percebia política como um empreendimento e determinante somente através de algumas poucas restantes pilastras ideológicas, se tornou humana, para o desespero de seus “parceiros” de anos no projeto em se manter no poder custe o que custar. 

Exatamente essa “saída do armário” da chanceler que, sempre conseguia sair pela tangente ou se fazer de morta durante 3 dias quando a imprensa exigia um “soco na mesa”, encanta os editores da Forbes. 

Depois de cair nas pesquisas de popularidade e até mesmo ter ao seu redor intrigas de co-partidários que já se ocupavam com a procura de um sucessor, Merkel se recuperou da tempestade concernente ao percentual de aceitação pelos eleitores alemães. Para ela, não há alternativa. Merkel é, de fato, quem, com mão de ferro, ao mesmo tempo que sem estardalhaços, conduz a UE. Não é Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, nem mesmo Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão e seu olhar de cachorro abandonado. É Merkel que vai tecendo as linhas na encolha para que os grandes conflitos já sejam evitados e desacelerados. Não é preciso ser fã nem da pessoa de Merkel nem mesmo da sua política de governo para constatar que o tecer de todos esses instrumentos transformando-os em um pacote infalíve, é genial. Ser a mão de ferro da UE sem se gabar por isso e sem vaidades expansivas, e isso nós sabemos que no mundo político dominado pelo sexo masculino é uma pilastra determinante, é uma cartada de quem se debruçou sobre a planilha durante muito tempo, aperfeiçoando-a pouco a pouco.  Quanto mais expansivo, mais vaidoso, mais a sociedade machista ou um terreno marcado somente para o “Clube do Bolinha”, irá quitar positivamente como sinal de “masculinidade”, “pulso”, e “postura estadista” e “competência”. 

A sofisticação merkeliana não éem aspectos exteriores como o seu guarda-roupas e nem em seu penteado, antes motivos constantes de zoeiras nas redes sociais e na mídia. Merkel já ultrapassou todos esses critérios mostrando serviço e não se deixando distrair do foco que é se manter no poder. . Ao contrário da ex-presidente Dilma Rousseff, Merkel tem em sua volta um equipe absolutamente competente, recheada de discrição conspirativa e o melhor de tudo, de forma absoluta fechada com ela. E ai de quem pensar ou mesmo pedir pra sair!

A sexta nomeação da revista americana irá dar um respaldo a Merkel dentro de casa, talvez uma cessar-fogo temporário na picuinha interna com seu “parceiro” no governo, o Ministro Presidente da Baviera, Horst Seefhofer. O que a Forbes também não sabe é que a capa da revista Der Spiegel desta semana mostra os dois sentados no sofá como num casamento saturado, mas com obrigações a serem cumpridas com muita coisa em jogo. “Ainda da pra aguentar? Uma amizade vaidosa vira um perigo para o país“. O subteaser constata: “A vingança é a salsicha branca”, especialidade típica da Baviera que é degustada até mesmo no café da manhã.

Por vezes Merkel se deixa ser humilhada por Seehofer durante a convenção nacional de seu partido como se fosse um garota de colégio que não fez a lição de casa. Outras vezes ela deixa uma carta do Mr. Baviera durante 3 meses na geladeira da Chancelaria Federal. Na carta que não teve como não fazer lembrar na cara chorosa de Temer para a ex-presidenta Dilma no melhor formato de DR, Seehofer também choramingava sobre o andar da carruagem da política de refugiados da chanceler. Depois de 3 meses, Merkel, no melhor estilo de que vingança é um prato que se come frio, respondeu com poucas linhas e não saindo nem um milímetro da sua posição. Resumindo: humilhação em alto nível!

Como Dr. em ciências naturais e nascida num país onde se expressar claramente podia ser muito perigoso e custar até mesmo o teu futuro, Merkel aprendeu a ser paciente observadora e teve todo o tempo do mundo para exercitar a paciência em deixar a tempestade passar e esperar a hora de entrar no ringe, chegar e vencer: pela determinação, preparo, pelo respaldo econômico do país que governa. E quando nada disso funcionar, Merkel ainda tem um coringa na manga da jaqueta: a paciência de um monge tibetano e a condição física de negociações que varam a noite com 100% de concentração e foco.