Ministro alemão ganha perfil político e sugere conversa “direta” com a Coreia do Norte

Ministro alemão ganha perfil político e sugere conversa “direta” com a Coreia do Norte

Fátima Lacerda

19 Setembro 2017 | 17h30

©DPA

Sigmar Gabriel acumula as funções de Vice-Chanceler e Ministro das Relações Exteriores no governo liderado por Merkel. Ele ocupa essa pasta desde que seu antecessor, o também social democrata Frank-Walter Steinmeier, assumiu a Presidencia da República.

Sigmar Gabriel? Oi?

Desde o inicio de sua carreira ele não deixava dúvidas sobre suas ambições em “jogar nas ligas principais” ou como diria o colérico presidente do Clube Cruzmaltino “jogar nas cabeças”. Ao contrário de Eurico Miranda, porém, Gabriel cumpre o que prometeu. Seu cargo de “Ministro para instigar a musica pop alemã“ durante o governo Schroeder (1998-2005) lhe foi aquele tipo de lama seca no sapato e difícil de sair. Gabriel também foi ministro da pasta “Meio Ambiente”.

Ter sido gordo durante muito tempo aliado a um estilo político de mudar de opinião como mudava de camisa, foram claros empecilhos para que ele fosse aceito pela maioria dos eleitores alemães. Seu jeito rude com âncoras de telejornais em horário nobre, não deixando barato na hora de insistir por uma resposta concreta, fizeram de Gabriel um Persona Non Grata na classe política. Um ditado popular nas terras daqui, prescreve:”O homem cresce com seus desafios”. Gabriel surpreendeu a todas e todos. Seu horizonte ampliou.

A sabedoria de Gabriel

Na política e na vida em geral e importante saber chegar, saber usar a chance na sua frente . Igualmente importante e saber quando e hora de desistir, seja de forma temporária ou definitiva.

No caso de Sigmar Gabriel, que em seu discurso nunca escondeu suas ambições em direção a chancelaria federal, lugar onde ate agora, conhece “some te” da perspectiva de ministro e vice-chanceler quando faz parte da reunião de gabinete, todas as terças-feiras no prédio que, pelo seu formato quadradão, foi apelidado pelos berlinenses de “Maquina de lavar” (Waschmaschine, em alemão).

O Fracasso como chance

Gabriel provou discernimento. Mesmo como chefe do partido socialdemocrata abdicou da candidatura a chanceler, foi pro final da fila. Não se deixou levar nem pela vaidadem nem pela fome de poder. Mostrou maturidade, senso estratético ao invés de vaidades pueris. Na época, Martin Schulz liderava as pesquisas de percentual de simpatia entre os dois socialdemocratas. Gabriel passou o bastão para Schulz sem mimimi. Foi exatamente essa postura que surpreendeu a todos e o angariou respeito. Melhor. Na tradição de Herbert Wehner, o memorável chefe da banca dos social democratas que tinha como sua bíblia: “Primeiro o partido, depois o país e depois o interesse pessoal”.

Cartão de visitas

Quando Frank-Walter Steinmeier assumiu a presidência da República, Gabriel trocou a pasta da economia para a de Ministério das Relações Exteriores. Todos pensaram que seria o maior mico, te-ló na pasta que é sociais-democratas do país e a permanente questão o quanto dominante a Alemanha deve se posicionar no âmbito internacional em assuntos políticos e financeiraos. Mas o pior não aconteceu. Gabriel adotou um discurso mais coerente, comedido, em suma, se mostrou capaz como diplomático. Emagreceu mais de 15 kg e eliminou o sorriso cínico, outrora, habitual.

O tempo passou

Imune à polemica envolvendo sumiço de Schulz, ele postava no Twittter suas viagens para o exterior a serviço da Alemanha. Aquela coisa de mudar de opinião como mudava de cmisa, se tornou coisa do passado.

Enquanto Schulz vai correndo os últimos metros da maratona na certeza de que vai ganhar e “destronar” Merkel, Gabriel tira o corpo fora com o sua agenda e não está  nas praças publicas do pais fazendo campanha como outros ministros do gabinete Merkel.

Em recente entrevista à imprensa alemã, Sigmar Gabriel mostrou que anseia esboçar um perfil, um estilo político e não para ser o garoto mandado de Merkel. Em alguns temas a chanceler retirou o comissariado de Gabriel. Ela mesma trata do assunto pessoalmente, por exemplo em assuntos envolvendo a UE e seus perrengues.

Sobre o conflito em volta dos testes atômicos da Coreia do Norte, o Ministro das Relacoes Exteriores pleiteou “negociacoes diretamente com o país de regime comunista” e sugere a participação das 3 potências (EUA, China e Rússia) na mesa de negociaçoes. “É preciso visão e passos corajosos tomando como exemplo a Política de Destensão do tempo da Guerra Fria” e ainda acrescentou: “É preciso que seja dada uma garantia à Coreia do Norte fora da Bomba Atômica, que para eles representa a segurança de continuação do regime“, concluiu.

©Nielfeld/DPA

Gabriel & Merkel: parceiros e adversários

Entre o ministro e sua chefe rege um clima de lealdade, porém Gabriel consegue vem conseguindo manter seu perfil, para qualquer eventualidade: seja a continuacao da “Grande Coalizao” entre o CDU de Merkel e os Socialdemocratas como também para somar combustível para se candidatar em 2021.

Analistas políticos contam com o Reload da grande coalizão depois das eleições do próximo domingo( 24), mas a boa ética pede que se espere a “de isso do eleitor”. Entretanto. Schulz precisa de um milagre para vencer Merkel.

Do SPD de Kurt Schumacher (1895 – 1952) e Willy Brandt (1913-1992), um partido de peso, um Volkspartei, se tornou um partido “Junior”. Isso se deve aodesenvo.vimento do cosmos partidário pé,o qual passa a Alemanha, mesmo antes do aparição do partido que se auto-denomina “Alternativa para a Alemanha” e que, poucos dias antes da eleição “navega” entre 8% e 10% da intenção de votos. Os Piratas, os partidos miúdos e o chamado .deslocamento” ou “êxodo de eleitores” carrega a parte do leão da penúria que sofre o partido social democrata, que tem o melhor programa de governo, mas que não conseguiu instigar uma ânsia de mudança no pais.

A dialética do medo

O sentimento de medo é algo que acompanha os alemães desde pequenos: medo do que não se conhece, medo do futuro, medo que o próximo vizinho a mudar pro prédio será pior do que saiu, constante medo de perder emprego, da falta de reconhecimento social. Só para citar alguns exemplos. Essa idiossincrasia alemã não deixa espaço, não cria margem para um clima de necessidade de de mudança no pais. A esmagadora maioria dos alemães conta com Merkel para destrinchar os abacaxis, os desafios da globalização porque seguro, sim, morreu de velho.