O cenário apocalíptico dias antes do #Brexit e o que isso significa para a Alemanha

Fátima Lacerda

21 Junho 2016 | 11h49

Nada melhor do que um torneio de futebol como a Eurocopa para desviar o foco político quando a cobra esta fumando, a chapa esquentando e sim a casa caindo. A “Casa Europa” do jeito que foi idealizada por Kohl e Mitterrand.

Na Alemanha, analistas políticos fazem um delinear apocalíptico caso o referendum #Brexit tenha sucesso. Como seria a relação econômica entre a Alemanha e o Reino Unido?

Dr. Daniela Schwarzer, diretora do “Programa Europa” da Fundação German Marshall Fund, escritório Berlim conversou, na manhã de segunda-feira (20), com correspondentes estrangeiros da capital. Ela falou de “cenários apocalípticos” como também confessou não ter uma previsão de como os mercados reagirão no dia seguinte, caso a maioria dos britânicos decidam pela saída da UE. Dr. Schwarzer ressaltou a importância econômica para o Reino Unido em manter “o mercado interno constante”.

Os Imigrantes

A política migratória tem sido abordada na Inglaterra somente sob o foco de “Migração europeia”. Ao contrário da Alemanha, onde a erroneamente denominada “Crise dos Refugiados”, o foco é no maior grupo que são os sírios e os afegãos, no Reino Unido o cemeamento do medo irracional é com foco nos imigrantes da UE “que vão invadir o país”.

O sangrento Daily Express é um dos protagonistas do caminho do ódio que vem se do percorrido contra os imigrantes. Perguntada por mim como ela percebe a influência do jornal e se ele seria capaz de convencer os ainda indecisos, ela respondeu: O Daily Express tem um número de jornais vendidos ainda maior do que o The Sun, esse que colocou um toque über emocional no referendo, o instrumentalizou”

Geopolítica

Com o Out dos britânicos, a Alemanha ganharia um papel ainda mais importante e mais influente na Europa, tudo aquilo que a Dama de Ferro, Margaret Tatcher, queria evitar de qualquer jeito: “Uma Alemanha com supremacia e dominância na Europa Central” e por isso foi tão relutante em aceitar a reunificação dos 2 Estados Alemães.

Segundo Dr. Schwarzer, a Alemanha já vem tomando uma posição de dominância na Europa depois de 2010, quando a chanceler Merkel ganhou imensa credibilidade e moral no “empresariar de crises do continente europeu”, vide a “tragédia grega”, a penúria financeira da Irlanda e de Portugal, as negociações de varar a noite em Bruxelas como também, recentemente o acordo com o déspota que atende pelo nome de Erdogan de quem Merkel espera, em troca de muito dinheiro, que ele mantenha os refugiados em seu país e as portas de saída da Turquia, fechadas.

Quero o meu país de volta

Com uma #Hashtag #Iwantmycountryback, britânicos questionam “De onde vem tanto ódio?”. O usuário James, postou: “Eu quero o meu país de volta. O seu clima, sua comida, seu humor, tolerância e solidariedade“. Um outro usuário, sob a mesma #Hashtag, postou: “Eu não quero viver em um país, onde terei que explicar para meus netos que eles serão roubados ou violentados por imigrantes”.

De onde vem tanto ódio?

Um usuário fez um apanhado das manchetes do Daily Express, postou como foto e acrescentou: “Se você quiser comprar o ódio é só ir na banca de jornal“.

O Reino Unido se vê totalmente dividido, há tempos, mas especialmente nas semanas que antecipam a votação.

Perguntada por mim como será o “trabalho no dia seguinte”, “um trabalho de juntar os cacos e tentar unir e, acima de tudo, reconciliar o país”, Dr. Schwarzer respondeu: “Será uma tarefa que irá durar muito tempo. São muitas as sequelas!”.

Em recente conferencia organizada pelo Deutsche Bank nas dependências do Hotel Hilton em Berlim para banqueiros da Áustria, Suíça e Alemanha, Wolfgang Schäuble, Ministro Alemão das Finanças foi o convidado de honra. Em seu discurso, o único evento do congresso de 3 dias ao qual a imprensa teve acesso, Schäuble, num melange de sarcasmo de quem sabe que está com a faca e o queijo na mão cumprindo com disciplina prussiana o papel de “tesoureiro da Europa”, num inglês passável, mandou: “São os britânicos que irão decidir se ficam ou saem. Mas que uma coisa fique clara. Dentro é dentro. Fora é fora”, alfinetando o Reino Unido, que durante anos, só tirava as vantagens de ser membro do clube que ja foi exclusivo. Todo o resto e a briga constante para reduzir o valor a ser pago a UE não interessava ao governo britânico. Um casamento por conveniência não e nada comparado com a postura do Reino Unido, sempre com um pé dentro e outro fora. Segundo matérias veiculadas nesta terça-feira na mídia alemã, “falta um plano B da UE” no worst case de #Brexit.

Enquanto isso…

A chanceler Angela Merkel se regozija no ostracismo midiático, esse todo voltado para o futebol, seus Hooligans russos, ingleses, alemães e “para a ilha”.

Depois do jogo eletrizante da Alemanha contra a seleção polonesa, onde, contra todas as possibilidades resultou no empate e que foi celebrado pelo time vermelho e branco como vitória nas ruas de Berlim e pelo caráter inusitado de uma constelação futebolística acabou me rendendo duas entrevistas em chamadas ao vivo da TV estatal polonesa, TVP Info convidada pelo meu colega e correspondente Martin Antosiewicz para análise do jogo.

A seleção – Die Nationalelf

Críticas às escolhas técnicas e táticas de Joachim Löw vão de vento em popa.

Nas redes sociais, alguns dos 80 milhões de técnicos já fazem o prognóstico da Alemanha ser eliminada nas quartas de final da Eurocopa. Um usuário postou: “Não se preocupe. No jogo contra a Irlanda do Norte (21) a chanceler estará no estádio. Tudo certo!“. Os tentáculos merkelianos exercem influência até mesmo no futebol quando a carruagem löwiana não anda como deveria.  Ele, que permanece no seu formato de teimosia tipo Felipão em continuar apostando no chamado de “Rei do Rio”, Mario Götze, aquele que fez o gol no Maracanã na Final da Copa do Brasil. Sem qualquer dúvida, Mario, o “falso camisa 9” regozija do status de queridinho do técnico alemão e isso, nem a mulher mais poderosa do mundo, conseguirá mudar.

Menos mal que Löw deu ao melhor jogador de defesa da atualidade, o berlinense Jerome Boateng, a braçadeira de Capitão do time na partida de hoje (21) contra a Irlanda do Norte valendo muito mais do que “somente” a liderança no Grupo C.