O nosso medo se tornou realidade e o terror chegou a Berlim: caminhão invade Mercado de Natal no coração da cidade

Fátima Lacerda

19 Dezembro 2016 | 20h05

AnschlagjpgCopyright: Reuters/Fabrizio Bensch

No final do ano, em Paris, em Roma, em Berlim como em inúmeras outras metrópoles, o amontoado de pessoas é uma constante dos cenários urbanos. São esses cenários, como em Nice na Costa Azul francesa, um atrativo para terroristas.

Mesmo que a polícia ainda não tenha declarado, oficialmente, de que se trata de um atentado, a maioria dos analistas políticos cita incontestáveis similaridades com o atentado em Nice.

Na noite de segunda-feira (19), no meio do Mercado de Natal ao redor da Igreja da Memória, Berlim (Gedächtsnikirche, em alemão)  aconteceu aquilo que temíamos, mas que esperávamos nunca ter que vivenciar. O terror chegou no coração, na menina dos olhos da República: Berlim. O fato da tragédia ter sido exatamente num Mercado de Natal, onde se compra presentes, se degusta gastronomia berlinense e é ponto de encontro de amigos e namorados depois do expediente, tem uma imensa simbologia. O que aconteceu hoje é, igualmente como em Nice e tantos outros, um ataque a liberdade de ir e vir, aos valores do mundo ocidental.

Em clima de natal com mercados presentes em vários bairros da cidade e a festa do Réveillon no Portão de Brandemburgo está na fase de preparação, Berlim agora se vê frente ao seu maior desafio dos últimos anos. Berlinenses viveram guerras, motins. Mesmo assim. Depois do massacre na redacao da revista “Charlie Hebdo” e no mais tardar depois do episódio no trem em Munique em 19.07. O início do ano comecou com a ameaca de ataque terrorista em Munique, onde a polícia ordenou que os moradores nao saissem de casa. Na mesma noite, o caos recheado de criminalidade no Reveillon da cidade de Colônia, onde assésio sexual, roubo e estrupo foram os protagonistas da noite que era para ser de festejos. Quase um ano depois e poucos dias antes do feriadao de Natal, a vítima agora é Berlim e as pessoas que aqui vivem, que estavam de visita ou simplesmente estavam no mercado para comprar presentes de Natal para pessoas queridas. Quantas vezes eu já fui nesse mercado, que sim, não é nada original em termos de gastronomia, mas uma lugar excelente quando não se tem idéia de que presente comprar.

KaiDöbekeCopyright: Kai Dobberke

O local – Breitenscheidplatz

Aos pés da Igreja da Memória, em sua constitução, marcada pelos bombardeios da II Guerra Mundial, além de um vasto número de lojas e restaurantes e a poucos metros da estação de trens e metro, Jardim Zoológico e em frente ao tradicional cinema e palco de premieres históricas e durante muito tempo o cinema principal da Berlinale, o Zoo Palast, o Hotel Ritz Carlton e um dos shoppings mais cool da capital, o Bikini Haus.

9 mortes e aproximadamente 50 feridos, assim declarou Thomas Neudorf, porta-voz da polícia berlinense. No local estão o corpo de bombeiros e a polícia. Segundo Neudorf, a placa do caminhão era da Polônia.

A polícia confirmou que o acompanhante do motorista do caminhão, faleceu. O suspeito de ter sido motorista, primeiramente fugitivo, foi preso na sequência, a alguns metros do local do atentado, está prestando depoimento na delegacia.

A RBB, TV regional de Berlim, está transmitindo ao vivo imagens do local, depoimentos, análises. Toda a programacao de TV foi suspensa por conta disso. 

Sob o #hashtag #Breitscheidplatz, o nome da praça onde está localizada a Igreja da Memória e um dos mais populares Mercados de Natal, pessoas de todo o mundo prestam solidariedade.

Essa parte da chamada City-West, o ex-centro na época de Berlim Ocidental, já mostra na arquitetura, sequelas dos bombardeios da II Guerra Mundial e hoje acontece aquilo que desde o atentado em Paris em janeiro de 2014, era provável.

O privilégio de Berlim se devia ao preparo da Polícia Federal e, como Merkel declarou, a otimização na cooperação entre os serviços secretos. Entretanto, depois do atentado em Munique, o terror havia chegado, de fato, na Alemanha. Agora, ele chegou em Berlim.

Em várias chamadas, ao vivo, do local, está sendo especulado sobre “a nacionalidade do autor” do atentado, ao invés de um foco humano na identificação das vítimas e aguardar as investigações.

Em chamada ao vivo, Michael Müller, o prefeito de Berlim, declarou “É terrível, é um choque ver que tantas pessoas vieram aqui para curtir o mercado e terem vivenciado isso. Nós esperávamos que não teríamos que viver essa situação em Berlim”, declarou o socialdemocrata.

A chanceler Merkel, que também mora em Berlim, está em contato estreito com o prefeito Müller sobre os acontecimentos. O novo governo de Berlim, composto de uma coalizão entre os socialdemocratas, os Verdes e o partido esquerdista Die Linke irá ter que mostrar serviço e competência no administrar não de crises, mas de tragédias.

Até a finalizacao desse texto, não se sabia, se o homem prestando depoimento é o autor da tragédia, se o caminhao era roubado. Entre as vítimas, estão turistas. A polícia montou um posto de informação no local como também para informar os parentes das vítimas. Logo na sequência eu entrei, ao vivo, na Radio Band News SP com as infos que vão sendo divulgadas sucessivamente.

De acordo com o Washington Post ,o chamado Estado Islâmico (EI) teria assumido a responsabilidade atantado. As autoridades e a policía aguardam uma provável confirmacao da agência do EI, Amaq.

A polícia, que se comunica com a população via Twitter #PolizeiBerlinEinsatz fez um apelo aos berlinenses:

Por favor, nos ajude. Fique em casa e nao espalhe boatos“.