Presidente da Federação Alemã de Futebol renuncia e assume “responsabilidade política”

Fátima Lacerda

09 de novembro de 2015 | 16h11

Niersbachimage-919893-breitwandaufmacher-fcnn-919893.jpg©DPA

A pressão da mídia por um lado e o conhecimento tardio de irregularidades no contexto da Copa de 2006 na Alemanha, resultaram no dia de hoje, a renúncia de Wolfgang Niersbach do cargo de Presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), aquela que até há bem pouco tempo, ainda conseguia ficar bem na foto do jogo de tráfico de influência dos cartolas do futebol profissional.

Não porque os membros da diretoria me tivessem obrigado, mas por que eu reconheci que chegou o ponto de assumir a responsabilidade política pelo acontecido no contexto da Copa de 2006. Eu continuo afirmando que fiz um trabalho correto e honesto, mas nos últimos dias, fatos vieram à tona que me levaram a renunciar para poupar o prejuízo para o cargo da DFB. Também tem o aspecto da minha reputação, mas o cargo está acima da pessoa. A decisão foi muito difícil. Eu trabalhei para a Federação durante 27 anos. A DFB foi sempre mais do que um emprego, uma vocação. E logo no contexto da Copa de 2006, esse “Conto de fadas de um verão” (Sommermärchen), marcou a minha trilha profissional, de uma forma que jamais esquecerei. E por isso é ainda mais doloroso, depois de 11 anos tomar conhecimento que nesse contexto aconteceram coisas das quais eu não tive conhecimento. Eu declaro aqui, que estarei à total disposição para colaborar na investigação“, declarou Niersbach no final da tarde, horário local.

A atitude do ex-presidente é louvável, mas também sem alternativa. “Colar na cadeira”, como diz um jargão das terras daqui seria ainda mais ingênuo do Niersbach foi na época em que ocupava os cargos de Secretário-Geral e Porta-voz, da Federação. A gravidade do caso ficou transparente quando, na última semana, foram feitas buscas no prédio da DFB, assim como nas residências do ex-membros do Comitê de Organização da Copa de 2006. Agora, o “Conto de Fadas do Verão” é caso para a justiça e o inquérito foi aberto pelo Ministério Público.

Como na Alemanha, bem ao contrário do Brasil, não se pode apostar na impunidade. O caso DFB começa a se desdobrar e mostrar um cenário e começa a ser protagonista de notícias que antes só conhecíamos envolvendo a FIFA, na pessoa de Sepp Blatter ou seus congressos em paraísos de SPA no Oceano Índico ou a UEFA, envolvendo Michel Platini.

Theo Zwanziger, antecessor de Niersbach no cargo da presidência da DFB se mostrou “aliviado” no dia da busca em sua casa. Com um sorriso de fora a fora, ele declarou aos jornalistas que se plantaram em frente à sua casa: “Eu achei até que eles demoraram pra vir” e desfilou com a postura de quem não tem nada para esconder e que está curtindo de arquibancada. Sua vingança, agora, está completa.

Zwanziger sabia de tudo. Se calou. Niersbach não e o que sabia, se calou. Sua renúncia vem tarde demais. Tivesse ele renunciado há 4 meses, durante o verão, quando alegou ter tomado conhecimento de “irregularidades”, o estrago, para ele e para a DFB, teria sido menor. A casa caiu, mas o desdobramento desse caso, muito além do que o portal DER Spiegel divulgou, é só uma questão de tempo.

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