Bundesliga recomeça eletrizante

Fátima Lacerda

24 Janeiro 2016 | 12h30

Mesmo  sob temperaturas gélidas em torno dos 0 graus, a sexta-feira (22) marcou o reinício do Campeonato de Futebol alemão, a Bundesliga.

O duelo entre o FC Bayern e o HSV Hamburg, contabilizando um público de 57.000 pessoas com o HSV jogando em casa, a partida não foi um Derby, mas um importante termômetro para desvendar a condição do time bávaro na primeira partida depois das férias de inverno.

Muitos dos analistas esportivos já concederam ao time da Baviera, o título de campeão. A paúra e o respeito que o recordista de campeonatos causa nos analistas políticos, é uma constante que também se espelha nos programas de futebol de TV: a supremacia bávara é uma constante no circo midiático. É exatamente essa postura que, frequentemente, irrita o técnico Guardiola, pela pressão que ela leva à pergunta das perguntas: se Guardiola conseguirá o Triplo antes de partir para a Premier League quando se tornará técnico do Manchester City.

Na coletiva anterior ao jogo contra os time hanseático, um repórter, navegando na dialética de praxe, colheu a pergunta: “Nós somos campeões alemães?”, o repórter retrucou: “Seria preciso dar muita coisa errada” (para que isso não aconteça). Guardiola não deixou barato. Com seu olhar de cachorro molhado, porém com um tom provocador, ele repetiu: “Nós já somos campeões alemães?”. “Com 8 pontos de diferença para o segundo colocado?”, instigou o repórter. “O Borussia Dortmund é um dos 5 melhores clubes da Europa na atualidade: a equipe, o técnico, os jogos. Ainda tem muito chão para defendermos o título de campeões da Bundesliga”, disse Guardiola, coerentemente astuto e comedido e botando panos quentes. Afinal, até maio muita água ainda rola pelos gramados alemães.

Quem diria?

O HSV dominou vários momentos da partida, foi capaz de irritar o time bávaro no segundo tempo com momentos de marcação agressiva. Porém, no final da partida, faltou a coragem de apostar tudo no ataque para levar, pelo menos um ponto pra casa. Mais uma vez, o polonês Robert Lewandowski mostrou que faz a diferença, especialmente nos jogos em que a equipe não está bem sintonizada. “Nós dormimos um pouco no segundo tempo, mas no final, a vitória foi merecida”, declarou ele ao programa “Sportschau” da rede pública de TV.

O brasileiro Douglas Costa, eleito o melhor jogador da Bundesliga na rodada de ida, não recebeu boas críticas pela sua atuação. Só acertou no finalzinho algumas jogadas com Lewandowski.

Já Bruno Labbadia, técnico do HSV, se mostrou satisfeito com o resultado. Quando todos esperavam um passeio dos bávaros na metrópole hanseática, o HSV surpreendeu e leva desse jogo “orgulhoso como um espanhol”, como diz um ditado popular nas terras daqui.

jerome-boateng-fc-bayern.jpg©Imaged/Laci Pereyi

Já o time bávaro, que teve que lidar com o desfalque do francês Franck Ribery e Mario Goetze, terá que abdicar de um dos melhores da defesa do time. Jerôme Boateng sofreu lesão na coxa nos 56 minutos do segundo tempo contra o HSV. Nos próximos meses ele ficará fora da equipe e estará também ausente nas quartas de final da Liga dos Campeões contra o Juventus de Turim. Isso também terá consequências no planejamento de Joachim Loew, técnico da seleção alemã, para quando for nomear os jogadores para disputar a Euro Copa.

Borussia Dortmund

Já no sábado (23), em duelo com o xará o Borussia Moenchengladbach, que pelo impronunciável do nome e para diferenciar do time vizinho é chamado pelos torcedores somente de Gladbach, o Borussia Dortmund, segundo colocado da tabela, fez bonito: jogou agressivo e teve o atacante Marco Reus e meio-campo Guendogan em excelente forma.

BVBN_Gladbach_Aubameyang_bvbnachricht_halb_regular.jpg©BVB

O sempre sorridente e bem-humorado Aubameyang, recentemente eleito o melhor jogador de futebol da África, não conseguiu manter o nível da sua atuação na rodada de ida na qual contabilizou 18 gols para o time amarelo e preto. No final da partida, o BVB com o placar de 3 x1, levou os três pontos pra casa e ratificou que o campeonato alemão de futebol ainda está para ser disputado e, ao contrário da dialética dos analistas esportivos, não será monótono devido à soberania dos bávaros.

Thomas Tuchel, o sucessor do memorável Juergen Klopp, encaixou como goiabada com queijo no universo amarelo e preto.

4719050945001-still.png©Ominsport

Por falar em Klopp…

Sendo torcedor do BVB ou não, é impossível não manter o olhar periférico nos jogos da Premier League, mais especificamente no trabalho fenomenal que Klopp está realizando no FC Liverpool. Klopp conseguiu se adaptar ainda mais rápido nos Reds do que Tuchel no BVB. A cumplicidade entre ele e os jogadores, apesar de seu rudimentar domínio da língua inglesa, é instigante e contagiante, para dizer ao mínimo.

No final da noite de sábado, toda a mídia alemã estava voltada para o jogo eletrizante que os Reds fizeram com o Norwicks.

Do placar de 1 X 3 para o Norwicks, jogando em casa, os Reds viraram para 5 X 4, coroado pelo gol de Adam Lallana nos 95 minutos do segundo tempo. Depois de um show de suspense dessa categoria, não há fôlego para falar dos graves erros da defesas dos Reds. Como costumava dizer o ex-chanceler alemão Helmut Kohl: “O que importa é o resultado final” e o resultado de um jogo de suspense mór, garante ao “normal guy” da Floresta Negra, Juergen Klopp, menção honrosa nos livros de história da Premier League.

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Que durante a incontida comemoração que Klopp fez questão de fazer com os jogadores, o seu óculos foi destruído pelo belga Christian Benteke é um efeito paralelo que também entrará para a história. Super bem humorado na coletiva depois do término do jogo e perguntado por um repórter sobre o “óculos perdido”, ele informou: “Esse já é o segundo. O primeiro está exposto no Museu do Futebol em Dortmund, em lembrança ao dia em que vencemos do FC Bayern”, informou e alegou a outro repórter ser difícil encontrar o seu óculos sobressalente “quando se está desprovido de óculos”, arrancando risadas dos presentes na coletiva.

Essa informação da ausência de óculos (independente do motivo), certamente, o trará uma avalanche de ofertas de óticas que querem marcar o gol de marketing do ano ou de empresas que oferecem operação de laser nos olhos. Assim o técnico mais querido da Europa nunca mais correria o risco de ter um óculos destruído.

Em tempo: Não seria nenhuma surpresa, se o próximo contrato de publicidade for de um fabricante de óculos.

Links relacionados:

https://www.youtube.com/watch?v=n4m4zv6YrVA

https://www.youtube.com/watch?v=FJX4C9Rd5so

https://www.youtube.com/watch?v=AwradJjJYNk