Sensação no futebol alemão: técnico do Borussia rescinde contrato

Fátima Lacerda

15 de abril de 2015 | 18h22

Durante os 7 sete anos sob o comando de Jürgen Klopp, o time do Borussia Dortmund teve um dos seus maiores momentos de glória na história do clube.

Campeão alemão, 2011

Vitória dupla no campeonato alemão e na Taça DFB (Da Federação Alemã de Futebol)

2013, Final na Liga dos Campeões no estádio de Wembley contra a equipe do Bayern de Munique, a primeira final entre duas equipes alemães na final.

Um futebol de ataque, criativo, contagiante foi a assinatura trazida para Klopp quando, vindo do Mainz, chegou em Dortmund e encachou no perfil do clube como goiabada com queijo. Formou uma equipe internacional, jovem, motivada e com jogadores saídos da equipe juvenil. Com autonomia da diretoria do clube, ele criou a equipe que jogava o futebol mais bonito da Liga. Tradicionalmente, no Borussia o técnico goza de grande autonomia para construir, formar  IME.

O comportamento depois do jogo era sempre digno da equipe, independentemente se ela saia do campo vitoriosa, com somente um ponto ou com a derrota. Até mesmo no auge do sucesso, Klopp nunca se deixou seduzir pela arrogância. Empresas que queriam angariar a seus produtos a imagem de um cara vencedor, o contratavam como garoto-propaganda. Opel, o banco Volksbank são algumas delas (veja link).

Seu pai era obcecado por futebol: “Nos domingos de manhã cedo ele me levava por parque para correr e só me deixou ganhar quando eu realmente cheguei primeiro. Ele queria que eu desenvolvesse a vontade de sempre me aprimorar. Por isso eu sei que ninguém pode me pressionar mais do que eu mesmo e eu tenho sempre na mente, depois de uma partida, seja ela dramática, feliz ou um desastre, é um jogo de futebol”.

A coletiva de hoje

Sem avisar anteriormente a diretoria do clube (mesmo que durante a coletiva afirme que a decisão foi tomada em conjunto), Klopp causou sensação. No melhor estilo de identidade corporativa, colocou café na xícara de cores amarelo e preto, e iniciou sem delongas o seu discurso indireto de despedida alegando que foi motivado pelo futuro do Borussia “que merece ser treinado pelo técnico perfeito”.

Em todas as fases do trabalho em conjunto, eu me questionava frequentemente sobre se eu sou o treinador perfeito para esse time incrível e fazia isso por achar muito importante em me auto-questionar. Nas últimas semanas e nos últimos dias eu não cheguei a conclusão que seria o treinador errado, mas também não cheguei a conclusão de que sou o treinador perfeito para esse time” Klopp não fez questão de esconder a emoção, mas como tantas vezes antes, nunca se tornou patético e nunca ficou devendo em autenticidade. Por essa e por muitas outras razoes, Jürgen Klopp (47) é o treinador mais popular, mais querido e mais respeitado da Liga Alemã de Futebol.

O curto depoimento de Klopp deixou perto das lágrimas o diretor executivo Klaus-Joachim Watzke e o diretor esportivo Michael Zorc. Depois do término, o forte abraço dos diretores. Como até nessas horas Klopp não perde o seu bom humor, ele soltou: “Eu não vou sumir pelo mundo não. Até já garanti ingressos para os 3 próximos jogos”. O riso dos jornalistas ficou entalado na garganta. Ninguém esperava e ninguém queria essa decisão.

Dignidade dentro e fora do campo

Mais uma vez Klopp, carinhosamente chamado Kloppo mostrou sua dignidade em tomar ativamente a decisão de quando sair para possibilitar ao time que se encontra a 37 pontos atrás do líder da tabela, o Bayern de Munique, um novo caminho sobre o comando de um novo treinador. E não é preciso pegar o exemplo do futebol alemão para saber o fato de alta simbologia que tem uma troca de treinador. O cruzmaltino, por exemplo, tem muitas histórias pra contar sobre a troca de técnico e de presidente e o que isso gerou no time incluindo a recente posse e o ressucitar do atual presidente.

Klopp segurou de forma impressionante uma guerra de nervos e a pressão de vencer. Quando uma equipe vem de sucessos como o Borussia em 2011, 2012 e 2013, o começo do debate sobre o pânico de cair para a segunda divisão, parece ter sido a gota d’água. E como na Alemanha a dialética do meio copo vazio é onipotente, o questionamento não demorou logo depois da derrota recente pro Borussia Möchengladbach, que contra todas as possibilidades e anos de ostracismo na tabela do campeonato, se encontra agora na terceira posição e não deixa nenhuma dúvida de querer voltar para o olimpo do futebol europeu na próxima temporada.

Questionado pela imprensa sobre a quebra do contrato que era para durar até 2018 teria haver com um esgotamento resultante do estresse dos últimos meses, Klopp negou. Entretanto, o medo da queda para a segunda divisão e a situação de 37 pontos atrás do líder, Bayern de Munique, foram fatos que pesaram para essa decisão definitiva que se tornou a sensação midiática de hoje na Alemanha.

Houve também por parte da imprensa, se ele, devido à quebra do contrato, já estaria “alinhado” com outro clube. Com o discurso direto e sincero de sempre, Klopp assegurou: “Não há nada alinhado com nenhuma equipe, não há plano nem tática, mas também não intenciono fazer um ano sabático, mas como a profissão de treinador às vezes exige, pode ser que eu tenha que ficar parado uns meses”.

Vai faltar a paixão, o sorriso simpático, a leveza, a ironia e os legendários acessos de raiva (veja Link) à beira da linha de campo ou com perguntas, ao seu ver, simplórias da imprensa nas coletivas e nos estúdios de TV de analistas inexperientes e sempre agregados à filosofia do copo meio vazio.

Klopp teria sido uma factível opão para a seleção alemã, se a mesma tivesse voltado derrotada da Copa do Mundo no Brasil. O atual técnico Joachim Löw já anunciou que irá treinar a seleção até a Copa na Rússia. Hoje foi o fim de uma etapa. E fazendo uso de um ditado alemão no âmbito futebolístico, Depois do jogo é antes do jogo, que Klopp voltará e brilhará seja no clube que for. Mas antes disso, haverá a festa de despedida, coerente com os 7 anos de um trabalho ímpar na equipe do Borussia. Agora, todo o foco está na partida contra Paderborn no fim de semana. Nao é preciso ter bola de cristal para saber que o time vai entrar no campo como um furacão. Agora é defender a honra de Klopp.

Links relacionados:

Propaganda OPEL e Banco Raiffeisen

https://www.youtube.com/watch?v=j7Jw3GEE2TY

https://www.youtube.com/watch?v=EdODj6-Q4xE

https://www.youtube.com/watch?v=kdWPJCyjTvk

Colagem feita pelo programa de sátira, Extra 3:

https://www.youtube.com/watch?v=9O3oznMRppk

Coletiva de Imprensa:

https://www.youtube.com/watch?v=WsbKxhgPfVs

 

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