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11 de Setembro de 2016 – Relato de um brasileiro que vive em NY

gustavochacra

10 de setembro de 2016 | 21h48

Eu não morava em Nova York quando ocorreu o ataque terrorista de 11 de Setembro. Não sabia, em 2001, que a minha vida seria aqui em NY. Que eu iria me mudar para esta cidade em 2005. Que eu faria mestrado na Universidade Columbia. Que eu me tornaria correspondente do Estadão em Nova York em 2009. Que eu cobriria o aniversário dos ataques terroristas em 2011 no Ground Zero, ao lado dos parentes das vítimas. Que eu me tornaria comentarista do Globo News em Pauta em NY em 2012. Que eu me casaria com a Ana Maria em Nova York em 2014. Que o casamento ocorreria em um lugar de onde se poderia ver um avião se chocando contra uma torre às 8h46 e outro às 9h03 daquela terça de manhã. Que eu teria uma filha em NY no dia 9 de maio de 2016 a quase exatos 200 quarteirões de distância do World Trade Center.

Eu pude viver estes 15 anos, sendo praticamente 11 deles em Nova York. Mas outras 3 mil pessoas morreram naquele dia 11 de Setembro quando terroristas lançaram aviões contra as duas torres mais altas de Nova York. Elas não puderam ver seus filhos crescerem ou não puderam ter filhos. Elas não os viram se formando. Elas não os viram casando. É inacreditável. Eu apenas tive uma ideia melhor quando estive no Ground Zero naquela manhã de 11 de Setembro de 2011 e conversei com os parentes das vítimas. Deixa de ser aquele “filme” na nossa cabeça. É realidade

Hoje, de uma certa forma, o 11 de Setembro se tornou história. Quase nenhuma pessoa com menos de 20 anos tem memória daquele dia. Imagino um dia eu contando para a Julia do atentado terrorista na cidade que ela nasceu. Não tenho ideia de como vai ser. Mas é estranho pensar que a cidade do atentado do 11 de Setembro é a mesma cidade onde a minha filha nasceu.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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