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5 motivos explicam como pessimismo ajudará Olimpíada do Rio a dar certo

gustavochacra

06 Junho 2016 | 13h05

A expectativa com a Olimpíada no Rio é baixa tanto entre brasileiros como entre estrangeiros. E esta baixa expectativa talvez ajude para os Jogos Olímpicos serem bem sucedidos por 5 principais motivos.

1) Os principais defeitos da desta Olimpíada já foram apontados. Da corrupção ao zika, da poluição da baía da Guanabara à criminalidade, tudo já foi apontado em dezenas ou centenas de artigos ao redor do mundo. Difícil imaginar algo inesperado. É como um pangaré disputando a Triple Crown – qualquer resultado será acima da expectativa. Mesmo o risco de terrorismo, que não é restrito especificamente aos Jogos do Rio, está precificado.

2) Muitos estrangeiros que forem ao Brasil não irão ao país imaginando que desembarcarão na Noruega. Buscam justamente as características de um estereótipo do Brasil e especialmente do Rio propagado no exterior há décadas de que somos uma terra de carnaval, futebol e natureza. Pense em um paulista que pretende passar o carnaval no Rio ou Salvador – sabe que será o caos, mas paga para ir todos os anos porque gosta. Simples assim. Se quisesse calma, iria passar o carnaval em Buenos Aires.

3) A imagem de quem tem os direitos da Olimpíada no exterior será positiva. No caso dos EUA, a NBC. Ao assistir a propaganda dos Jogos, fico com vontade de embarcar para o Rio imediatamente. Parece ser o paraíso. Ipanema, Copacabana, a Lagoa, o Corcovado, o Pão de Açúcar e o povo mais alegra do mundo. Tudo festa, sem corrupção, sem crime, sem trânsito.

4) As pessoas, no fim, querem saber das competições. Basta lembrar da Copa do Mundo. O que marcou foi o 7 a 1, não a organização. A NBC, ao longo da Olimpíada, mostrará apenas – Simone Biles, provavelmente a maior ginasta olímpica de todos os tempos e favorita a 5 ouros (ela será, com certeza, a maior atleta desta Olimpíada); a natação, com foco no veterano Michael Phelps no masculino e na adolescente Katye Ledecky no feminino; o tênis com Federer, Djokovic e Nadal; o retorno do golfe aos jogos; o rugby; o basquete masculino; o futebol feminino; o atletismo e os saltos ornamentais. Nenhum medalhista brasileiro, a não ser possivelmente na natação com o Bruno Fratus, deve aparecer recebendo medalha nos EUA. Falo por já ter assistido cinco Olimpíadas aqui (incluindo as de Inverno)

5) Sim, há o risco de terrorismo, assim como este existe em qualquer competição internacional há décadas. O maior de todos foi o atentado contra a delegação israelense em Munique. Inclusive, a Euro certamente é um alvo muito maior do que os Jogos Olímpicos. E, tirando o recente atentado na Bélgica (probabilidade era maior do que a do Real Madrid ser campeão mundial neste ano), nunca ninguém acertou quando ocorreria um ataque terrorista. Enfim, o risco de terrorismo, como disse acima, está precificado.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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