De Cartagena a Sanaa – Como são as mulheres e os homens no Yemen
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De Cartagena a Sanaa – Como são as mulheres e os homens no Yemen

gustavochacra

19 de março de 2010 | 21h18

Estou em Cartagena, na Colômbia. Mas, como escrevi, estive antes em Sanaa, no Yemen. E nestes dias publicarei alguns textos sobre a minha viagem. Além disso, consegui publicar fotos no novo sistema. As mulheres de preto e os homens são de Sanaa. A menina sozinha estuda na Universidade Americana de Beirute. O objetivo, além de relatar a história abaixo, é mostrar que o mundo árabe é bem heterogêneo. Escrever generalizações como árabes odeiam os judeus ou todas as mulheres usam burkas é uma burrice. Há árabes que odeiam judeus sim, assim como WASPs nos EUA e quatrocentões de São Paulo. Sem falar em alguns alemães. São os famosos anti-semitas. Não sei se a menina patricinha de Beirute odeia ou não. Muito menos as duas de Sanaa, que sequer sei a idade. Apenas posso garantir que quem diz que todos os árabes odeiam e perseguem judeus é anti-árabe.

Os homens iemenitas são tradicionalistas. Vestem roupas brancas com facões na cintura. Seria o equivalente do terno e gravata no Brasil. As facas possuem diferentes modelos e materiais. Algumas, importadas da China, podem ser compradas por US$ 20. As melhores são fabricadas no mercado antigo da cidade. Quanto mais antigas, mais caras. E podem alcançar os milhares de dólares. Ironicamente, o presidente Ali Abdullah Saleh prefere se vestir de terno e gravata.

As mulheres de Sanaa se cobrem inteiramente de preto, incluindo o rosto. Nada a ver com as libanesas, que adoram usar biquíni. São raras as que usam até mesmo apenas um lenço na cabeça, como no Cairo ou em Damasco. Tampouco usam véus caros, como as de Dubai. Estão mais para as sauditas. Apesar disso, diferentemente do que ocorre na Arábia Saudita, elas dirigem e podem andar sozinhas e sem a companhia do marido. Nos restaurantes, há divisão. Uma sala para mulheres, outra para homens. Mas famílias podem comer juntas, o que é comum nas quintas e sextas, durante o fim de semana iemenita.

O jornalista Gustavo Chacra, 33, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano e do Terremoto no Haiti. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009

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