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70 anos após Auschwitz, há antissemitas de SP a NY, de Paris ao Cairo

gustavochacra

26 de janeiro de 2015 | 14h57

Faz 70 anos hoje que os soviéticos libertaram o campo de concentração em Auschwitz das mãos dos nazistas da Alemanha. Calcula-se que 1 milhão de judeus (e cem mil outras pessoas) foram mortos em escala industrial (cinco vezes mais do que a Guerra da Síria), em uma das maiores tragédias do século 20. Mas, infelizmente, mesmo depois do Holocausto, o antissemitismo não acabou e os genocídios e massacres não deixaram de acontecer.

Em 1945, judeus viviam em diversas áreas no mundo árabe ou islâmico. Hoje as comunidades judaicas, embora ainda presentes no persa Irã, não existem mais nas árabes de Aleppo, Damasco, Bagdá, Cairo, Beirute, Sanaa, Alexandria e Casablanca. Tente andar de kipá pelas ruas de uma grande cidade do Egito para ver o que acontece e quanto tempo demorará para ser linchado, possivelmente até a morte.  Na Turquia, onde muitos judeus foram abrigados quando fugiram da inquisição e até uma década atrás não enfrentavam problemas, há um presidente que adota cada vez mais um discurso beirando o antissemitismo.

E não precisa ir para o mundo árabe. Em Estocolmo, Paris, Frankfurt e em diversas cidades europeias judeus são atacados verbalmente ou mesmo fisicamente. Não achem que apenas por radicais islâmicos. O antissemitismo da extrema direita europeia, que agora também virou islamofóbica (anti-islã) e anti-estrangeira (incluindo brasileiros), é violento e continua se focando nos judeus. Basta ver o líder do grupo islamofóbico alemão Pegida fantasiado de Hitler ou do político francês Le Pen pai apoiando um comediante antissemita.

Como sempre digo, muitos árabes são antissemitas por serem anti-Israel. E muitos europeus são anti-Israel por serem antissemitas. Israel é igual à maioria dos países do mundo. Defende seus interesses e tem suas qualidades e defeitos. Mas ninguém atacará russos ortodoxos em Nova York por causa do Putin. Ou venezuelanos por causa do Maduro. Por que atacam judeus no exterior? Porque são antissemitas. Simples assim.

Sem dúvida, os judeus vivem bem aqui em Nova York e em São Paulo. Mas, mesmo nestas cidades, ainda há antissemitas.

Para terminar, ninguém precisa ser antissemita para defender o Estado palestino. A Palestina terá maiores chances de ser criada quanto menor for o antissemitismo.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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