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A Arábia Saudita ajudará a Al Qaeda a vencer a guerra no Yemen?

gustavochacra

17 de abril de 2015 | 17h49

A Arábia Saudita, ainda que indiretamente, está favorecendo o fortalecimento da Al Qaeda no Yemen. A rede terrorista tem ganho território, incluindo portos e cidades, desde o início da ofensiva saudita contra guerrilheiros houthis aliados de forças militares fiéis ao ex-ditador Abdullah Saleh.

Os houthis são os maiores inimigos da Al Qaeda no Yemen. Trata-se de uma etnia do norte do país, que representa um terço da população. Seguem o zaydismo, que seria um braço derivado do islamismo xiita – não são xiitas, pois, se fossem, seriam chamados de xiitas e não zaydis. O Irã apoia os houthis, mas não se trata de uma aliança similar à existente entre o regime de Teerã e o Hezbollah, por exemplo. Os houthis não são vitais para o regime iraniano como o grupo libanês.

Na Guerra da Síria, o apoio da Arábia Saudita a facções extremistas da oposição, em detrimento das mais moderadas, para lutar contra o regime de Bashar al Assad culminaram no surgimento do ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Agora, no Yemen, mais uma vez as ações sauditas servem para ajudar grupos terroristas, como a Al Qaeda.

Não é errado se preocupar com o crescimento da influência iraniana no Oriente Médio. De fato, cresceu nos últimos tempos, especialmente no Iraque. Mas achar que a Arábia Saudita, país mais radical do mundo, onde há Apartheid contra as mulheres, e responsável pela difusão da ideologia ultra extremistas wahabbita, seria o lado bom no conflito é um erro ainda maior. Mais uma vez, o ISIS, a Al Qaeda, o Boko Haram e o Al Shabab são wahabbitas.

Sem dúvida, Abd Rabbuh Masur Hadi, que é o líder iemenita apoiado pela Arábia Saudita e hoje no exílio, cooperava com os EUA nos bombardeios de Drones contra a Al Qaeda. Mas ele renunciou ao cargo e, quando decidiu voltar, foi deposto. Hoje os houthis e seus aliados fiéis a Saleh seriam a melhor alternativa para combater a Al Qaeda, que é o verdadeiro inimigo no Yemen.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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