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A capital palestina, a revolução no Irã, o muro do Mubarak e o Nobel do Obama

gustavochacra

09 de dezembro de 2009 | 12h58

Nesta semana, estou mediando a escolha do conflito da década, segundo os leitores do Estadão. Todos podem participar. Mas não dá para deixar de comentar alguns recentes eventos. Primeiro, a Suécia lidera a União Européia no reconhecimento de Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino. Aos poucos, cresce a idéia de que a Palestina se tornará independente sem um acordo com Israel e determinando que toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza integre o futuro país. Em um impasse como o atual, pode até ser uma alternativa. A estratégia seria conseguir o reconhecimento internacional do novo Estado ainda que sem o de Israel. Mas a melhor opção continua sendo um acordo de paz negociado com os israelenses.

E faz mais de seis meses que a oposição iraniana continua nas ruas tentando derrubar o regime. A revolução islâmica não aconteceu de um dia para o outro. Foi um processo. O mesmo pode ou não ocorrer agora. A ironia ficaria para o Brasil, que se aproximou de Teerã, sem se importar com os acontecimentos internos. Em Honduras, onde a repressão do governo interino não representa um centésimo da do Irã, o governo de Lula decidiu adotar uma posição firme – e desrespeitando a Constituição local.

Já o grande Hosni Mubarak, maior inimigo da história dos palestinos, decidiu erguer um muro separando o Egito da Faixa de Gaza. O ditador que fechou as portas para os refugiados da Guerra de Gaza no ano passado, que prende opositores, que governa um país há quase três décadas, que mata os porcos para combater a gripe suína, que não se dá ao trabalho de instalar sinais de trânsito em algumas avenidas do Cairo sempre consegue se superar.

Nos EUA, Obama se prepara para receber o mais ridículo Nobel da Paz de todos os tempos. Um presidente que, independentemente do argumento, envia 30 mil soldados para um guerra não seria o postulante ideal para a premiação em Oslo. O próprio chefe da Casa Branca deixou claro que não esperava ser o escolhido. Mas os cinco deputados noruegueses têm o poder de decidir quem é a pessoa mais pacífica do mundo e não podemos fazer nada.

Para completar, participem da discussão sobre o conflito da década no portal do Estadão.

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