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A chance de derrubarem acordo com Irã é a mesma de o Vasco não cair?

gustavochacra

31 de agosto de 2015 | 11h44

Mais tarde, escreverei sobre a questão dos refugiados sírios na Europa. Antes, porém, apenas gostaria de atualizar sobre a questão da aprovação do Acordo com o Irã no Congresso dos EUA.

Apenas para contexto, o Congresso americano votará no meio de setembro se rejeita ou não o acordo nuclear firmado entre os EUA e outras potências mundiais (China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) com o Irã.

Para rejeitar, são necessários 60 votos no Senado (são 100 senadores ao todo) e maioria simples na Câmara. Neste caso, o presidente Obama precisaria vetar a rejeição. O tema voltaria para o Congresso e, para derrubar o veto presidencial, são necessários dois terços do Senado (67 votos) e dois terços da Câmara.

Ao todo, há 54 senadores republicanos e 46 democratas (incluindo dois independentes). Todos os republicanos votarão para rejeitar o acordo com o Irã. Mas eles precisam de seis votos democratas para conseguir a rejeição (54+6 = 60) e, posteriormente, 13 votos democratas para derrubar o veto de Obama (54+13=67).

Até hoje, 31 senadores democratas e se posicionaram a favor de Obama e apenas dois contra. Ainda há 13 senadores indecisos. Para os republicanos (e Netanyahu) conseguirem a rejeição inicial, precisam convencer pelo menos mais quatro democratas, além dos dois atuais – e estão gastando dezenas de milhões dólares para atingir este objetivo. Mais complicado, para derrubar o veto, precisam de mais 11. Isso sem falar na Câmara, onde os opositores ao acordo também estão distantes de conseguir os dois terços.

Portanto, embora ainda matematicamente possível, dificilmente os republicanos e Netanyahu conseguirão derrubar o veto do Obama. Goste ou não do acordo, este tende a entrar em vigor, a não ser que ocorra um fenômeno Black Swan. A chance Obama perder esta batalha contra o premiê de Israel é similar à do Vasco não ser rebaixado de novo.

O que se fala hoje é se Obama precisará usar seu poder de veto, pois alguns já cogitam a possibilidade de os opositores não conseguirem sequer os 60 votos iniciais.