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A Copa no Qatar pode ser considerada um crime contra a humanidade?

gustavochacra

18 de fevereiro de 2014 | 17h29

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Uma das maiores vergonhas da história do esporte será a Copa do Mundo de futebol no Qatar. Não por ocorrer em um regime ditatorial travestido de monarquia. Afinal, tivemos Olimpíadas em Pequim e Berlim (durante o nazismo), além da Copa da Argentina em 1978, durante a ditadura militar. Mas pela enorme quantidade de seres humanos que estão sendo mortos durante as obras.

De acordo com o jornal The Guardian, são cerca 1.100 indianos e nepaleses mortos nas obras. Isso porque estas duas nacionalidades representam apenas um terço do total de trabalhadores. O número pode ser ainda mais elevado se contarmos egípcios, paquistaneses e bengalis – possivelmente, mais de 3 mil. Apenas para comparação, levando em conta que são 32 países e 23 jogadores por seleção, teremos 726 atletas na Copa.

Não dá, de verdade, para aceitar a Copa do Mundo no Qatar. Além das mortes e de ser uma ditadura, também restringe direitos das minorias e das mulheres, apoia rebeldes radicais na Síria,  é um país minúsculo, sem tradição futebolística e com temperaturas atingindo quase 50 graus nos meses de junho e julho.

O que mais me espanta é o Qatar ter derrotado os Estados Unidos na disputa. Afinal, os americanos, se quiserem, podem realizar uma Copa na semana que vem. Tem ao menos 40 estádios padrão Fifa, hotéis e aeroportos, além de ser uma democracia e ver o futebol cada vez mais forte no país.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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