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A democratização no Egito está para o Brasil assim como a Síria está para a da Guatemala

gustavochacra

17 de novembro de 2011 | 11h49

no twitter @gugachacra

O Brasil demorou dez anos para se democratizar, concluindo o processo em 1989. Na transição, ocorreram poucas mortes. Os membros do antigo regime e também os milicianos que lutaram contra ele foram anistiados. O primeiro presidente, José Sarney, não venceu no voto popular e era aliado dos antigos governantes.

A Argentina rumou para a democracia depois de uma fracassada guerra nas Malvinas/Falklands em 1982. O regime despencou e rapidamente elegeram Raul Alfonsín, um civil, para a Presidência. Nos anos seguintes, alguns levantes militares continuaram.

O Chile manteve a ditadura até 1990, depois de Augusto Pinochet perder um plebiscito por uma pequena diferença. O presidente eleito em seguida, Patrico Aylwin, havia defendido o golpe de 1973. Mesmo depois de deixar o poder, Pinochet permaneceu por quase dez anos no cargo de chefe das Forças Armadas e de senador vitalício.

A Nicarágua, a Guatemala e El Salvador enfrentaram sanguinárias guerras civis nos seus processos de democratização, com reflexos até hoje nestas sociedades. Cuba ainda é uma ditadura.

No mundo árabe, o processo de democratização está em seu começo e terá velocidades distintas, assim como na América Latina. A Tunísia mostrou que será mais rápida. O Marrocos abre o regime aos poucos, como no Brasil. O Egito terá problemas pela frente, mas o caminho para a liberalização política é irreversível. Estes países têm um perfil de América do Sul.

A Síria e o Yemen já entraram em um processo similar ao da Guatemala e da Nicarágua. Talvez ainda mais grave porque envolve questões sectárias. Milhares de pessoas já morreram. Outras milhares ou mesmo dezenas de milhares certamente serão mortas. O resultado final é completamente imprevisível. O Iraque, se servir de exemplo, está em guerra civil há oito anos. O cristianismo praticamente desapareceu naquele país.

A Arábia Saudita, como Cuba, talvez consiga manter seu regime ditatorial por anos. O Kuwait, Bahrain e Jordânia talvez tenham menos sorte. E aguardaremos o tempo que for para ver a “liberal” Al Jazeera cobrir a repressão do regime do Qatar.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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