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A destruição mútua assegurada impediria uma guerra entre Israel e um Irã nuclear?

gustavochacra

07 de novembro de 2011 | 13h34

no twitter @gugachacra

O Irã pode estar a um passo de adquirir tecnologia para desenvolver uma bomba nuclear, de acordo com reportagem do Washington Post antecipando o relatório da Agência Internacional de Energia Atômica que será divulgado nesta quarta-feira.

Com esta capacidade, os iranianos não necessariamente desenvolverão armas nucleares. O Brasil, a Argentina e a África do Sul, entre outros países, também possuem os instrumentos para fabricar estas bombas. Porém optaram por não fazê-lo. Dois anos atrás, o professor Gary Sick, da Universidade Columbia, dizia ser este o objetivo dos iranianos.

Diante da cada vez maior possibilidade de um Irã semi-nuclear, podemos seguir duas teorias. Uma, mais ligada à teoria dos jogos, diz que os armamentos atômicos servem para dissuadir o inimigo e impediram o esquentamento de um conflito, como na Guerra Fria, por quatro décadas. Também são o maior obstáculo para um confronto entre a Índia e o Paquistão.

Os dois lados, dizem os adeptos desta linha denominada Mutually Assured Destruction , na qual me incluo, sabem que serão aniquilados em um confronto. Basicamente, os iranianos raciocinam que, se usarem armas nucleares contra Tel Aviv, não existirá mais Teerã no dia seguinte, no que se configuraria uma aniquilação mútua.

Outros concordam que a Mutually Assured Destruction se aplica a nações tidas como racionais, como os EUA e a União Soviética na Guerra Fria ou Paquistão e Índia atualmente, mas não para Estados controlados por fanáticos, que seria o caso do Irã.

O contra-argumento é de que os clérigos de Teerã não têm nada de fanatismo, sendo apenas mais um regime realista que usa a religião para se sustentar no poder. Sem falar no balanço de forças, com generais sem educação religiosa controlando os armamentos e os diferentes centros de poder (o aiatolá Khamanei é inimigo do presidente Mahmoud Ahmadinejad).

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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