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A estratégia de Assad em 11 tópicos

gustavochacra

20 de janeiro de 2014 | 13h16

A estratégia de Bashar al Assad a caminho do Encontro de Genebra visa buscar o reconhecimento internacional através das seguintes iniciativas

1) Acordos de cessar-fogo – O regime já iniciou uma onda de tréguas com grupos opositores em áreas controladas pelas Forças de Assad. Isto é, dentro do território pelo governo, há alguns pontos onde os rebeldes atuam. Isso inclui alguns subúrbios de Damasco, mas pode ser ampliado para Aleppo, atualmente dividida

 2) Foco em lutas apenas para defender áreas sob seu controle – O regime, que controla todos os principais centros populacionais do país, a não ser por partes de Aleppo, tem interesse em consolidar seu poder na faixa de Damasco até a costa Mediterrânea, passando por Homs e Hama, e também na estrada em direção a Aleppo

3) Colaboração nas armas químicas – o regime de Assad sabe que ninguém irá impedi-lo no uso de armas convencionais. No caso das armas químicas, é diferente. Ainda mais porque a Rússia bancou o acordo. Suas forças farão o possível para transferir este arsenal para o porto de Latakia, onde estão os navios europeus que farão o transporte

4) Permissão para corredores humanitários – Este deve ser o principal resultado do Encontro em Genebra. Assad negociará corredores humanitários para a entrada de ajuda externa a áreas afetadas no país, especialmente as que estão sob seu controle

5) Oposição no exílio será alvo de gozação – Assad cada vez mais irá tirar sarro, literalmente, dos opositores no exterior, que são completamente irrelevantes para a situação na Síria – os rebeldes não respondem às ordens deles

6) Rebeldes serão cada vez mais descritos como Al Qaeda – Assad insistirá na tecla de que ele é, na verdade, um aliado dos EUA na guerra contra a Al Qaeda. Tentará descrever todos os rebeldes como membros da organização terrorista – sem dúvida, alguns dos grupos mais relevantes da oposição armada síria, como o ISIS e a Frente Nusrah, são ligados à Al Qaeda

7) Defensor dos cristãos – Assad sabe que a questão dos cristãos tem impacto no Ocidente. Falará que os cristãos apoiam o seu regime e temem a chegada da oposição ao poder porque muitos rebeldes são extremistas islâmicos

8) Apoio dos turcos, mas não de Erdogan – Parte da população turca considera um grave erro Erdogan ter ido contra Assad. Assim, o regime buscará contar com o apoio da opinião pública turca, fazendo com que Erdogan se sinta pressionado a conter grupos rebeldes a usarem o país como base

9) Aproximação EUA-Irã e mais o Iraque – Assad sabe que um acordo definitivo entre Teerã e Washington favorecerá seu regime. Sabe também que luta contra o mesmo inimigo que o governo do Iraque, apoiado pelos EUA, e isso também o ajuda

10) Garantias a Israel – Assad também, por vias secretas, garantirá a Israel que o país estará mais seguro com ele no poder. Os israelenses já avaliam desta forma, mas cada vez mais o regime sírio evitará atritos com o vizinho. Dirá que ambos correm risco com o crescimento da Al Qaeda

11) Candidato nas eleições presidenciais – Assad disputará as eleições presidenciais e permitirá a concorrência de membros da oposição de Damasco, tolerada pelo regime, e tende a sair vencedor. Desta forma, dirá que tem legitimidade do voto e o povo sírio o escolheu para permanecer no poder. Rússia, China e outros países aceitarão o resultado

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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