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A falta de educação e os riscos de acidentes fatais ao usar o Iphone e o Blackberry

gustavochacra

15 de dezembro de 2009 | 11h36

Mal acordo de manhã e, antes de pegar o jornal na porta de casa, já vejo no Iphone se recebi emails durante a madrugada. Ao longo do dia, quando estou fora de casa, checo o tempo todo o celular para verificar se tenho novas mensagens ou se há alguma notícia importante. Às vezes, leio uma reportagem no meu aparelho enquanto atravesso a rua, apesar do risco de ser atropelado.

Nós estamos viciados em emails e mensagens de texto por celular. Sei de pessoas que não desligam o blackberry no avião e continuam conversando no Messenger depois de o avião decolar, quando ainda existe sinal, colocando em risco todos os demais passageiros. Aliás, mensagens de texto matam. Os motoristas literalmente esquecem que estão na direção e digitam algo no celular, ignorando completamente o que se passa à sua frente. Recentemente, uma jovem foi condenada a 21 meses de prisão na Inglaterra por ter atropelado e matado uma outra mulher porque escrevia algo no celular.

A defesa da proibição de enviar mensagens de texto enquanto dirige conta com o apoio de 90% da população americana, de acordo com pesquisa da CBS. Editorial publicado pelo New York Times em setembro traz alguns números assustadores. Estudo da Universidade Virginia Tech indica que caminhoneiros enviando mensagens de texto possuem uma chance 23 vezes maior de se envolver em acidentes de trânsito. De acordo com a Universidade de Utah, a probabilidade é oito vezes maior entre motoristas de carro.

Além dos riscos para a vida, enviar mensagens de texto também é falta de educação em algumas ocasiões. Há pessoas que ignoram uma reunião profissional para checar os emails. Algumas, em jantares, ficam trocando mensagens enquanto a outra pessoa está ali diante dela, muda e humilhada, porque o virtual se torna mais importante do que o real. Alguém, a quilômetros de distância, passa a ser uma prioridade maior do que a que está a um metro. O comediante Jerry Seinfeld, em seu retorno ao programa Curb Your Enthusiasm, disse que ele abre uma revista na cara da pessoa caso ela fique no Blackberry durante um jantar. Uma amiga minha mantém o celular no silencioso no cinema para continuar as conversas com as amigas. Ela chega inclusive a escrever no Blackberry quando está com o computador aberto. Um funcionário do Goldman Sachs, de Nova York, me disse que divide todos os dias um táxi de seu apartamento no Upper East em Manhattan até o escritório em Wall Street. Perguntei se ele se tornou amigo dos companheiros. “Imagine, ficamos trabalhando nos nossos Blackberries e sequer sabemos os nomes uns dos outros”, respondeu.

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