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A Grécia não é tão igual à Argentina

gustavochacra

03 de novembro de 2011 | 11h17

no twitter @gugachacra

Dez anos atrás, era a Argentina que estava na situação da Grécia. Mais ou menos nesta época, antes da desvalorização do peso, eu vivi em Buenos Aires como correspondente da Folha – o Ariel Palácios já era o correspondente do Estadão há mais de uma década . Ao entrevistar economistas e especialistas do país, todos me diziam que o fim do câmbio fixo, com um peso valendo um dólar, provocaria o caos.

No curto prazo, sem dúvida estas previsões se concretizaram com os argentinos correndo aos bancos, presidentes renunciando, uma classe média despencando para baixo da linha de pobreza e a total falta de perspectiva para os jovens que passaram a fazer o caminho inverso de seus avós, imigrando para a Espanha e para a Itália.

Mas estes mesmos economistas erraram ao prever o retorno dos tempos de hiper-inflação que também destruíram a economia argentina na década de 1980. Verdade, a inflação argentina está acima dos 20% anuais. Mas isso não é nem metade do que subiam os preços no mês (isso mesmo, não no ano) em que eles levantaram a última Copa do Mundo, com Maradona, em 1986.

Mais importante, a Argentina se focou nas exportações e hoje cresce a taxas mais elevadas do que o Brasil e a pobreza começou a diminuir.

No caso da Grécia, para os gregos, os efeitos certamente serão devastadores ao deixar o euro e retornar ao drakma. Porém chega a um ponto de não retorno em que passa a ser melhor arriscar. Um diplomata europeu me falou disso sobre a Líbia ontem. Havia chegado um momento que não dava mais para Kadafi permanecer no poder, na visão da Europa, e era preciso retirá-lo independentemente dos resultados posteriores. Ninguém nas capitais europeias imaginava uma democracia escandinava no lugar do ex-ditador.

O caso da Grécia não é diferente. Não sabemos como será o futuro, mas temos certeza de que o presente grego se tornou insustentável. Mas eles não são exatamente a Argentina de 2001. O risco de hiper-inflação em Atenas é menor do que era em Buenos Aires. Este seria o lado positivo. Mas a Grécia está longe de possuir as mesmas condições dos argentinos para se tornar um mercado exportador e recuperar a economia. Este é o lado negativo.

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