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A guerra de árabes e judeus em Acre

gustavochacra

13 de outubro de 2008 | 17h19

Até os anos 1980, os israelenses enfrentavam os refugiados palestinos que viviam no exílio. Com a primeira intifada, no final daquela década, Israel passou a combater os palestinos na Cisjordânia e na faixa de Gaza. Após uma relativa calma no início dos anos 1990, com a assinatura dos acordos de Oslo, a violência retornou na forma dos atentados suicidas. No ano 2000, eclodiu a segunda intifada.

Uma série de fatores, como o polêmico muro construído por Israel, reduziu a quantidade de ataques palestinos contra israelenses desde 2005.

No último ano, porém, a luta palestina foi levada para dentro de Jerusalém, com alguns palestinos usando veículos como escavadeiras para lançar ataques.

Agora, desde a semana passada, o cenário se agravou e os confrontos foram levados para uma cidade conhecida pela tolerância de árabes e judeus. Acre era considerada um exemplo de como esses dois povos podiam conviver em paz. Aparentemente, não podem mais.

No Yom Kippur, um árabe-israelense estava dirigindo seu carro quando foi agredido por judeus israelenses que consideraram um desrespeito ao principal feriado judaico. Não ficou claro, pelo que li até agora, se foi uma provocação do motorista árabe. Tampouco se, em outros anos, na mesma data, os árabes dirigiam seus carros ou sempre respeitaram os judeus. Nem se os judeus respeitam os árabes cristãos e muçulmanos nos feriados religiosos.

Este ataque levou a uma represália dos árabes, com revide dos judeus, e uma espiral de violência transformou Acre em um campo de batalhas parecido com Hebron. Foram presos 27 judeus e 37 árabes desde a eclosão dos confrontos.

Lideranças religiosas estão reunidas para tentar acalmar os ânimos dos dois lados. Centenas de policiais farão a segurança das ruas dia e noite.

Não se sabe, por enquanto, se Acre foi um caso isolado ou se, aos poucos, enfrentamentos entre árabes e judeus se tornarão comuns dentro do território israelense. Neste caso, Israel não terá como construir muros para se separar dos árabes.

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