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Um mês em Gaza matou proporcionalmente mais do que média mensal na Síria

gustavochacra

05 de agosto de 2014 | 12h50

Neste momento de cessar-fogo provisório, vou dar alguns números

Foram mortos 1.800 palestinos em cerca de um mês nas ações militares de Israel. Não entrarei no mérito se a culpa é do Hamas ou dos israelenses e de quantos são civis. O leitor decide na conta de quem colocar. Apenas seguirei com os números. São 1.800 mortos em uma população de 1,8 milhão. Isso equivale a 0,1% ou um em cada mil habitantes mortos.

Parece pouco? Então vamos continuar. Na Síria, estima-se que morreram 180 mil pessoas em 40 meses de conflito. Isso daria uma média de 4.500 pessoas mortas por mês. Mas, vale lembrar, a população da Síria é 12 vezes maior do que a de Gaza. Se multiplicarmos os 1.800 mortos em Gaza por 12 teremos o  valor de 21,6 mil. Isto é, mais de 4 vezes mais do que a média mensal síria. Quer mais? A Síria tem uma área de 186.475 km quadrados. Gaza tem 360 km quadrados. Isto é, Gaza é 517 vezes menor do que a Síria. As mortes, obviamente, foram muito mais concentradas – há várias regiões na Síria que não sofrem com o conflito, como a cidade de Tartus, no Mediterrâneo. Em Gaza, segundo o NYTimes, toda a população escutou e/ou presenciou um bombardeio.

No Brasil, morrem 50 mil pessoas por violência todos os anos. São, arredondando, 4 mil pessoas por mês. Mas isso em uma população de 200 milhões, ou cem vezes maior do que Gaza, arredondando para baixo. Os 1.800 mortos em Gaza equivaleriam, multiplicando por cem, a 180 mi de brasileiros mortos em um mês, ou, para ser exato, 45 vezes mais do que morre em média decorrente da violência urbana por mês no Brasil. Lembrando que o território brasileiro tem uma área de 8,5 milhões de km quadrados, ou mais de 23 mil vezes maior do que Gaza.

Obs. Se houver qualquer cálculo matemático errado, me avisem e corrijo imediatamente, além de colocar uma errata

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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