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A Guerra de Obama contra a Fox News

gustavochacra

15 de outubro de 2009 | 11h27

Logo depois de receber o Prêmio Nobel da Paz e em meio a consultas para decidir se envia mais 40 mil militares americanos para o Afeganistão, o presidente dos EUA, Barack Obama, passou a liderar um governo que entrou numa guerra aberta contra a Fox News, a mais conservadora entre as grandes redes de TV americanas.

Tudo começou com as críticas da diretora de comunicações da Casa Branca, Anita Dunn, que acusou a Fox News de atuar como “braço armado do Partido Republicano”. A assessora de Obama ainda afirmou que a rede de TV deveria agir com mais correção, citando como exemplo a CNN, sua principal concorrente. A partir de agora, disse Anita, o governo tratará a Fox “como um oponente”. O porta-voz do presidente, Robert Gibbs, acrescentou ter assistido a “muitas reportagens nessa emissora que não são verdadeiras”.

Era tudo o que os apresentadores da conservadora rede TV do bilionário australiano Rupert Murdoch queriam. Nos últimos dias, os programas de comentaristas como Glenn Beck e Bill O”Reilly aproveitaram para atacar ainda mais o governo de Obama e elevar a audiência, o que serve também para alfinetar a CNN. Também dizem que Obama tem em seu favor as três grandes redes abertas – ABC, CBS e NBC -, que “não conseguem encontrar uma falha em sua administração”.

Beck, em seu programa vespertino, tem sido o mais ativo na guerra contra a Casa Branca, instalando, como provocação, um telefone vermelho no seu estúdio “dos tempos em que o governo dos EUA tinha verdadeiros inimigos, como os soviéticos, e não uma simples rede de TV”. “Demos o número para a Casa Branca, assim eles podem nos ligar quando cometermos um erro no ar”, ironizava o apresentador.

Em outro programa nesta semana, Beck colocou um mapa de Manhattan com o prédio da Fox News no centro e tanques o cercando. Segundo o apresentador, essa é a guerra com a qual o governo Obama está preocupado. “Eles pretendem nos isolar e destruir”, disse Beck, acrescentando que o “presidente é um radical revolucionário comunista”. Beck ainda comparou a administração de Obama à dos nazistas.

Recebendo críticas por todos os lados, a Fox News defende-se ao dizer que existe uma diferença entre programas de opinião e de informação.

O problema é que, apesar da guerra e do crescimento da audiência, comentários como o de Beck já teriam levado ao boicote de algumas empresas, o que pode provocar uma intervenção de Murdoch, mais preocupado com os negócios.

O bilionário, apesar de ideologicamente republicano, diz que simpatiza com Obama.

No ano passado, ainda candidato, o atual presidente deu uma entrevista para O”Reilly. Mas, neste ano, o chefe da Casa Branca concordou em conceder entrevistas para os principais canais há um mês, menos para a Fox News.

Como dizem nos EUA, “seriam as sanções”. Como elas não funcionaram, eles partiram para a “guerra” na semana passada. O problema é, que diferentemente da Al-Qaeda, do Taleban ou do Iraque, eles possuem a rede de TV a cabo com a maior audiência no território americano.

obs. Matéria escrita por mim para a edição impressa do jornal

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