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Obama é acusado de ser pró-Israel no mundo árabe e pró-Palestina nos EUA

gustavochacra

27 Setembro 2011 | 10h54

no twitter @gugachacra

Mahmoud Abbas se transformou em herói palestino. Binyamin Netanyahu manteve a sua base em Israel. E Barack Obama é considerado anti-Israel em política doméstica e pró-Israel em política externa.

Note que não estou entrando na questão do que seria bom para palestinos e israelenses. Já deixei claro em outros posts que a proposta francesa, de reconhecimento da Palestina como Estado observador, seria a melhor opção.

Neste post, apenas quero frisar que o líder americano fracassou. Será sempre considerado um covarde no mundo árabe. E, por mais que Netanyahu tenha afirmado o contrário, está claro que Israel não o considera um aliado. Basicamente, o presidente americano conseguiu a façanha inédita de ser odiado entre árabes e israelenses. Mesmo nos EUA, sua popularidade caiu na comunidade judaica e na islâmica.

Obama não acredita em suas convicções e se mostra hipócrita. Ao exigir o congelamento na construção dos assentamentos, o líder americano mostrou qual a sua posição sobre o conflito. Segundo ele, as colônias na Cisjordânia são um obstáculo para a paz. Também insistiu que as fronteiras deveriam ter como base 1967.

Pode-se concordar ou não com esta visão de Obama. O que ninguém esperava era um presidente dos Estados Unidos voltar atrás depois de tomar um bronca pública de Netanyahu na Casa Branca. O líder israelense, com todos os seus defeitos, não é hipócrita. Toma uma decisão e segue com ela adiante. Idem para o presidente palestino. Já Obama, não.

E não é só em Israel que Obama mostra hipocrisia. O presidente americano chamou a monarquia do Apartheid de Bahrain de amiga em seu discurso na ONU. Para o Iêmen, pediu diálogo na transição. Na Síria, defendeu sanções e a queda de Assad. Na Líbia, patrocinou a intervenção militar. Nada contra as alternativas em Sanaa, Damasco e Trípoli. Mas deprime ver um presidente americano defender a repressão e, mais importante, armar um regime como o do Al Khalifa, que tortura e mata crianças e mulheres. Poderia ter optado no mínimo pela omissão da palavra “amigo”.

No início dos anos 1990, os EUA tiveram um presidente respeitado por árabes e israelenses. O nome dele era George Bush, o pai.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios