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A intervenção da coalizão dos EUA na Síria começou a fracassar?

gustavochacra

07 de outubro de 2014 | 12h42

No Brasil, ninguém mais presta atenção na intervenção da coalizão comandada pelos EUA, com apoio de países árabes e ocidentais e da Turquia, contra o grupo ultra-extremista ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico, ISIL e Daesh. Mas vou explicar o caso da cidade de Kobani para mostrar como, até agora, tem sido um fracasso.

Kobani é curda, dentro da Síria, na fronteira com a Turquia. Na Guerra Civil, conseguiu autonomia do regime de Assad. Era praticamente a capital do Curdistão sírio.  Se há uma cidade que seria simples ser defendida é Kobani. Primeiro, eles não são aliados do regime de Assad, nem do ISIS e da Frente Nusrah. Não havia membros destas organizações radicais ou do regime de Assad até a semana passada. Eles viviam em relativa calma. Seriam os sonhados “moderados” pelo governo dos EUA. Além disso, por estar ao lado da fronteira da Turquia, poderia facilmente ser defendida pelo super poderoso Exército turco.

Mas, desde que os EUA começaram a intervenção, em vez da calma Kabani ficar segura, ela passou a ser alvo do ISIS. Hoje o grupo ultra radical praticamente controlou a cidade. Dezenas de milhares de curdos buscam abrigo na Turquia. Ironicamente, os bombardeios da coalizão dos EUA, se é que ocorreram (alguns opositores dizem que não), não serviram para nada. A Turquia, sempre ambígua na questão do ISIS, não interveio. Afinal, para o governo de Erdogan, os curdos são piores do que o ISIS.

No Brasil, claro, ninguém presta atenção. Impressionante. De Copa fomos para Gaza, de Gaza para o ISIS e agora, temporariamente, os brasileiros, com uma certa razão, estão focados nas eleições. Daqui a pouco, vai ressurgir o debate sobre o Irã e quem não tem acompanhado absolutamente nada das negociações nucleares entre o regime de Teerã e o Sexteto (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e França), que chegarão à sua data limite, começará a dar opinião.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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