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A Líbia está pior do que o Iraque e a Síria?

gustavochacra

26 Novembro 2014 | 20h04

A Líbia hoje não existe como país. A intervenção ocidental com apoio de países árabes do Golfo realmente atingiu o objetivo de derrubar o ditador Muamar Kadafi. Mas depois abandonaram completamente os líbios. E estes tampouco buscaram se movimentar em direção a uma democracia, como fizeram os tunisianos. De uma certa forma, o cenário na Líbia é pior do que no Iraque e próximo ao da Síria.

Hoje a Líbia tem dois governos. Ambos simbólicos. O que é reconhecido pelo Ocidente se localiza em Tabruq, uma cidade próxima ao Egito e a cerca de mil quilômetros de Trípoli, a capital. Isto é, o governo e o Parlamento da Líbia que desfrutam de legitimidade internacional não controlam a capital e nem a segunda cidade Benghasi. Estas estão nas mãos de diferentes grupos extremistas islâmicos que combatem as tropas laicas do general Haftar e outras milícias.

Os EUA, hoje, não possuem diplomatas na Líbia. O embaixador foi morto em atentado terrorista. Os demais foram retirados posteriormente quando o governo perdeu o controle da capital, Trípoli. Os americanos tampouco exercem qualquer influência na área de segurança.

Não há, na Líbia, um Exército que controle todo o país. O que existe são federações de milícias, sendo muitas delas ligadas à Al Qaeda. No último mês, militantes líbios integrantes do ISIS, também conhecidos como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, passaram a dominar a cidade de Darna.

Apenas para ficar claro, saindo do Egito e indo em direção à Tunísia, a primeira cidade seria Tabruq, nas mãos do governo. Se seguir viagem, a próxima cidade mencionada neste texto seria Darna, com o ISIS. Posteriormente ainda teria Benghasi antes de chegarmos na distante Trípoli, hoje nas mãos grupos ligados à Al Qaeda.

Ao longo deste período, dezenas de milhares de pessoas morreram na guerra civil da Líbia. Se levarmos em conta que a população é um terço da existente na Síria, o total de mortos seria quase equivalente.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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