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A mutilação genital é um problema tribal ou islâmico?

gustavochacra

27 de novembro de 2014 | 12h44

Alguns dizem que mutilação genital, considerada um crime contra os direitos humanos, é um problema dos muçulmanos. Outros dizem se tratar de uma questão tribal africana, independente da religião. Na verdade, não é uma coisa nem outra.

A mutilação genital atinge acima de tudo a África e, em menor escala, o Oriente Médio. Os países africanos onde há este costume englobam tanto os da África Árabe, como o Egito, como os da África Subsahariana. Há tanto nações muçulmanas, como a Líbia, como países majoritariamente cristãos, como a Eritreia e a Etiópia. Há países islâmicos onde não existe a prática, como a Bósnia, e cristãos, como o Brasil.

O Egito, inclusive, é o exemplo claro de que a mutilação genital não é religiosa nem tribal. Afinal, tanto muçulmanos como cristãos egípcios (10% da população) a praticam e o país, apesar de tribal no interior, possui duas megalópoles – Cairo e Alexandria – sendo relativamente urbano. Calcula-se que nove em cada dez mulheres egípcias foram mutilada. O número caiu nas que possuem até 25 anos para 80%, o que é um avanço, embora medíocre.

Anos atrás, o Egito proibiu por lei a mutilação genital. O Grand Mufti egípcio, maior autoridade muçulmana egípcia, publicou uma fatwa em 2007 dizendo que a mutilação genital feminina é proibida pelo islamismo. Ainda assim, a prática não foi eliminada e raramente a lei é implementada.

Em outros países, os avanços são ainda menores do que no Egito, infelizmente.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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