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A noite foi de Santorum, mas as primárias ainda são de Romney

gustavochacra

13 de março de 2012 | 23h58

Eleições nos EUA 2012

no twitter @gugachacra

A noite de ontem foi de Rick Santorum. O ex-senador venceu no Mississippi e no Alabama, se consolidando como a alternativa conservadora à candidatura de Mitt Romney. Já o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich não tem mais argumentos para continuar na disputa. Sua chance de ser o escolhido é praticamente nula.

Romney, por sua vez, pode não ter conquistado o “momentum” ontem, que certamente ficou com Santorum. Ao mesmo tempo, mantém uma larga vantagem na corrida por delegados, vencendo por cerca por 496 a 252 (números da CNN), levando em conta as prováveis vitórias no Havaí e nas Ilhas Samoa. O escolhido precisa ter 1.144 na convenção em agosto, na Flórida.

Matematicamente, ainda é difícil ver como Santorum teria condições de vencer a corrida por delegados, especialmente com votações em Estados mais populosos e moderados, de perfil similar ao de Romney, nos próximos meses, incluindo Illinois já no dia 20.

Nesta semana, será importante observar se Gingrich realmente desistirá ou se seu ego o manterá na disputa. Caso abandone as primárias, Santorum será o maior favorecido. Além disso, o ex-senador deve manter o momentum nesta semana com o cáucus em Missouri – ele venceu primárias que não valiam delegados no mês passado –, seguido pela Lousiana, de perfil parecido ao de Mississippi e Alabama.

O libertário Ron Paul segue em sua corrida paralela, somando delegados e propagando o seu discurso contra o FED (Banco Central dos EUA) e a favor de uma política externa mais isolacionista, que encontra eco entre os jovens. Mas está descartada qualquer possibilidade de ele vencer as primárias.

Barack Obama deve ter ficado satisfeito com os resultados. A primária republicana seguirá por mais tempo, adiando o início da campanha. Romney, que seria o seu adversário mais sério, precisa superar muitos obstáculos. Se Santorum, com seu discurso descrito por muitos como do século 18 e extremista cristão, for o escolhido, certamente o presidente será reeleito.

Para os republicanos, o melhor certamente seria Romney, um elogiado governador de Massachusetts, com uma quase incomparável carreira na iniciativa privada, onde dirigiu o gigantesco fundo de private equity Bain Capital, e uma respeitava carreira acadêmica com dois diplomas de Harvard (MBA e Direito), se formando nos dois casos entre os primeiros da classe. Sem falar na sua carismática mulher Ann Romney que é a sua arma secreta.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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