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A sucessão no reino (ditadura) da Arábia Saudita, o mais conservador regime do mundo

gustavochacra

16 de junho de 2012 | 10h52

no twitter @gugachacra

O herdeiro da coroa saudita morreu ontem em Genebra aos 78 anos. Ministro do Interior desde 1975, o príncipe Nayef era o escolhido para suceder seu irmão, rei Abdullah, no comando do reino menos democrático do mundo, onde impera um Apartheid contra as mulheres e as minorias religiosas.

Agora, conforme já previam analistas há algum tempo, outro irmão, príncipe Salman, atualmente no Ministério da Defesa depois de governar a capital Riad por cinco décadas sem nunca ter sido eleito, deve ser o próximo a assumir o poder do maior exportador de petróleo do mundo.

Esta transição já era prevista porque Nayef estava doente há alguns anos, vivendo entre hospitais em Nova York e Genebra, onde acabou morrendo. Como Abdullah está com 89 anos, sofre de problemas de saúde e tem se ausentado de uma série de compromissos oficiais, observadores já começam a ver como deve ser o reinado de Salman, um dos 40 filhos com diferentes mulheres do fundador da Arábia Saudita, Abdulaziz ibn Saud.

Não está claro ainda se Salman seguiria com as tímidas reformas implementadas por seu irmão Abdullah. O agora herdeiro da coroa tem relações próximas a clérigos conservadores, em uma nação onde até mesmo na ala liberal poucos têm coragem de defender mais liberdades para as mulheres, proibidas de ir disputar as Olimpíadas, assistir partidas de futebol, dirigir ou andar sem a companhia de um homem da família. Ao mesmo tempo, ele tem boas relações com o círculo empresarial e com os EUA.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios