As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A vida longe dos pais do americano Sean Goldman e do cubano Elián González

gustavochacra

16 de dezembro de 2009 | 19h46

A história dos argentinos filhos de desaparecidos que foram entregues para famílias de militares é uma das mais tristes consequências das ditaduras latino-americanas. Aos 20 e poucos anos, alguns jovens, através de exames de DNA, descobriram que aquelas pessoas a quem chamam de pai e mãe são na realidade figuras envolvidas indiretamente na mortes de seus pais verdadeiros. São seqüestradores e assassinos que os criaram contando uma mentira por anos.

Claro que, no caso de Elian Gonzalez e de Sean Goldman, a história não pode ser comparada. A família do cubano na Flórida e a do padrasto do americano no Rio realmente os amam. Tampouco mataram seus pais. Aliás, esta é a diferença. Eles ainda têm pais. Que são, em Havana ou New Jersey, homens trabalhadores e corretos. Podem ter menos dinheiro, mas possuem a dignidade e os meios necessários para educarem seus filhos.

Hoje, finalmente, a Justiça brasileira concordou que Sean deve ser devolvido para o seu pai, David Goldman. Decisão correta, apesar de tardia. Será triste se separar do padrasto e do irmão, mas, depois da morte da mãe, que o levou ilegalmente embora dos EUA, ele deve voltar para os pai. Tudo bem, ficará longe do Flamengo, da praia, da irmãzinha. Mas os EUA têm muitas coisas e poderá aprender jogar baseball com o pai, esquiar, estudar em uma boa universidade ou mesmo, aos 18 anos, se mudar para o Rio. Até lá, quem deve decidir o seu destino é David.

E não adianta acusar os EUA de dois pesos e duas medidas. A história de Sean , para os americanos, remonta à de Elian, em 2000. A mãe do menino cubano morreu quando fugia de Cuba de barco para Miami, sem avisar o pai. No fim, o menino chegou aos EUA e ficou sob a custódia de familiares que não concordavam em devolvê-lo para o pai em Havana. Depois de uma disputa judicial, Elian voltou para Cuba, com direito à entrada de policiais armados na casa da família na Flórida, em uma das imagens mais impressionantes dos últimos anos. Segundo os americanos, os EUA foram justos em devolver o menino ao pai esperavam que a Justiça brasileira agisse da mesma forma. Hoje, Elian tem 16 anos e vive em Cuba. Verdade, aos 18, por estar em uma ditadura, não terá a opção de ir para Miami. Mas Sean terá, porque os EUA são uma democracia. Nada a ver com a Argentina de Videla ou a Cuba dos Castro.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.