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A virada de Bashar al Assad

gustavochacra

30 de abril de 2009 | 09h34

A Síria se tornou independente nos anos 1940. Mas a região onde hoje está o território sírio já foi, no passado, capital de impérios islâmicos, durante a dinastia dos Omíadas. Durante o período otomano, a Síria era mais uma região, que se dividia em algumas províncias, cuja principal era Damasco. Diferentemente da Grande Israel, que teria uma caráter religioso ligado aos judeus, a Grande Síria seria uma áreas para povos árabes independentemente da religião.

O atual território começou a ser delimitado pelos franceses. Inicialmente, no mandato da França, a chamada Grande Síria foi dividida em cinco regiões. A primeira é o atual Líbano, que seria o país dos cristãos. A segunda era a área dos alauítas, na costa. Os drusos ficaram com uma outra parte e Damasco formaria uma região e Allepo, outra. O Líbano permaneceu desmembrado e as outras quatro áreas foram reunidas para compor o que hoje é a Síria. No fim dos anos 1930, os sírios perderiam a Antioquia para a Turquia em acordo assinado pelos franceses.

Com a independência, a Síria era um território árabe, com minorias curdas e armênias. Os curdos sempre foram perseguidos, com muitos de seus direitos restritos. Os armênios são bem integrados. A maior parte dos sírios eram – e são – muçulmanos sunitas, com minorias cristãs, druzas e muçulmana alauíta. Na época, também havia judeus. A elite, tradicionalmente, era sunita e cristã. Para um alauíta subir na vida, a maneira mais fácil era o exército. Os membros da elite síria, como ocorre no Brasil, não queriam fazer o serviço militar. Não demorou para os alauítas se fortalecerem dentro das Forças Armadas. Um deles, Hafez al Assad, assumiria o poder nos anos 1970. Desta forma, teoricamente, uma minoria passaria a controlar a maioria.

Mas, na verdade, Assad nunca foi um religioso. Era um militar comum, como outros na América Latina, que subiu ao poder por meio de um golpe. A religião nunca teve um papel decisivo na política síria, diferentemente do Líbano.

Assad instituiu um Estado de partido único, onde a oposição era reprimida. Especialmente a muçulmana radical. Ficou célebre o episódio de Hama, onde milhares de muçulmanos foram massacrados pelo regime de Assad. Com a sua morte, assumiu o poder seu filho, Bashar. O sonho de Assad era que o primogênito, Bassil, fosse presidente. Mas ele morreu em acidente de carro. Bashar, que era médico, teve que se transformar em um líder político.

No começo, o achavam fraco e que seria engolido pela velha guarda do partido na Síria. Mas ele implementou reformas econômicas e políticas. As primeiras, perduram até hoje, com o avanço no sistema bancário, internet e telefonia. Já a abertura política retrocedeu.

Um duro golpe para Bashar foi a morte de Rafik Hariri no Líbano. Na época, os dedos apontaram para a Síria como principal suspeita. Libaneses foram as ruas e ocorreu a Revolução dos Cedros, com a saída das tropas sírias. Em todo o mundo, apostava-se que os dias de Bashar estavam contados. Ledo engando. Enquanto seus principais algozes, George W. Bush e Jacques Chirac saiam de cena, Bashar se fortalecia. Hoje, se tornou o objeto de desejo de todos. Do Irã, que tem na Síria o único aliado árabe. E das novas administrações de Barack Obama e Nicolas Sarkozy, que enxergam Bashar como necessário para a paz.

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