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Abbas errou e Palestina não terá nem vitória moral no Conselho de Segurança

gustavochacra

04 de novembro de 2011 | 12h18

no twitter @gugachacra

A Palestina deve ser derrotada no Conselho de Segurança independentemente do veto dos Estados Unidos. A França afirmou hoje que optará pela abstenção. Os britânicos devem votar da mesma forma, segundo os dois países haviam indicado nos últimos dias. Colômbia e Alemanha seguirão a posição americana e tampouco apoiarão a admissão palestina. A Bósnia precisará se abster porque não existe consenso entre seus três presidentes (um croata, um bósnio e um sérvio).

Brasil, Rússia, China, África do Sul, Índia e Líbano confirmaram que votariam a favor. Sobra Portugal, que tende a se posicionar como França e Alemanha, além de Gabão e Nigéria. Mesmo com o voto dos dois africanos, os palestinos não terão os nove dos 15 votos necessários.

Criação do Estado Palestino

A Favor – 6 (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e Líbano)

Contra e Abstenção 6 – EUA, Colômbia, Alemanha, França, Inglaterra e Bósnia

Incerto 3 – Portugal, Gabão e Nigéria

Diante deste cenário, a Palestina talvez mude de posição e desista de ir ao Conselho de Segurança, priorizando a Assembleia Geral, onde certamente devem ser vencedores, especialmente depois da vitória na UNESCO. A França e a Inglaterra são a favor da aprovação na assembleia, mesmo não sendo no conselho.

Neste caso, os palestinos seriam membros plenos das Nações Unidas, mas teriam reconhecimento como Estado não-membro. Esta era a estratégia inicial, até setembro. Porém o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, decidiu tentar a aprovação no conselho. O que poderia ser uma vitória histórica dos palestinos, aparentemente se transformará em uma derrota.

Foi uma bobeada, pois eles poderiam ter desistido de ir ao Conselho de Segurança assim que os EUA anunciaram o veto. Assim, diriam que diante das resistências americanas, seria mais simples, neste momento, ir para a Assembleia Geral, como recomendou Nicolas Sarkozy em seu discurso. Agora não dá para culpar os americanos, já que eles seriam derrotados mesmo sem o veto

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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