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Abu Dhabi salva Dubai, rei saudita faz reformas e Waltz with Bashir é derrotado

gustavochacra

25 de fevereiro de 2009 | 20h38

Antes de começar a falar da Turquia, nova etapa da viagem, é importante relatar quatro eventos importantes no Oriente Médio na última semana. Começo pelos Emirados Árabes. Todo o mundo fala de Dubai. Talvez seja a cidade que melhor tenha desenvolvido uma estratégia de marketing global em tão pouco tempo. Há 15 anos, quase ninguém sabia o que era esta metrópole no golfo Pérsico. Hoje, recebe visitas de executivos, celebridades e turistas de todos os continentes – inclusive de São Paulo, para onde a Emirates voa diariamente. Já a sua irmã mais velha, Abu Dhabi, é bem menos conhecida. Porém, foi justamente Abu Dhabi que salvou Dubai de uma quebradeira financeira e imobiliária na última semana. Com petróleo e o maior fundo de investimento soberano do mundo, Abu Dhabi, em vez de investir no marketing, preferiu ser mais conservadora e cuidar das finanças. Sorte de Dubai.

Também no golfo Pérsico, o rei Abdullah, da Arábia Saudita, anunciou reformas. Claro, se fosse na Escandinávia, ninguém iria notar. Mas os sauditas são o povo mais conservador do Oriente Médio. Até hoje, mulheres não podem dirigir – uma aberração mesmo para países próximos, como os Emirados. Portanto, é impossível imaginar que qualquer pessoa viva hoje um dia verá a Arábia Saudita tão democrática como a Noruega. Por outro lado, poderemos ver avanços em pouco tempo.

Indo da monarquia islâmica para o Estado judaico, vemos que Benjamin Netanyahu ainda não definiu como será o seu governo. Na campanha, ele radicalizou o discurso, dando a entender que queria um governo de direita. O problema é que, com esta atitude, ele afastou o Kadima e os Trabalhistas, dificultando a formação de uma coalizão nacional. Netanyahu é pragmático e inteligente. Sabe que um governo direitista não será a melhor coisa para Israel com Barack Obama na Presidência americana. Os israelenses estariam mais bem representados por Tzipi Livni em uma reunião com Hillary Clinton. Porém, ele corre sério risco de ter que conviver com o racista Avigdor Lieberman como chanceler.

Para concluir, uma pena a derrota de Waltz with Bashir. Muito se fala que os judeus controlam Hollywood. E que isso significaria que a agenda de Israel seria favorecida nos filmes americanos. Discordo. São raros os filmes sobre o Oriente Médio (Munique foi um deles). E Israel nunca levou um Oscar, apesar de o cinema israelense ser excelente. Apenas nos últimos anos, tivemos Lemon Tree, A Banda, A Noiva Síria e Waltz with Bashir. Torci muito pela vitória de Israel. Não consegui entender o que aconteceu. Quem sabe, o filme japonês (que eu não assisti) seja realmente excepcional.

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