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Afinal, como está a eleição americana neste momento?

gustavochacra

26 Maio 2016 | 14h25

Não preste atenção nas pesquisas para eleições americanas neste momento. Elas costumam errar feio em relação ao resultado de novembro. Apenas a partir de setembro dá para levar a sério. E, mais importante, as pesquisas são nacionais, não estaduais.

Nos EUA, quem tem mais voto no país todo não necessariamente será presidente. George W. Bush perdeu de Al Gore em 2000, mas foi eleito. Vale quem vence no Colégio Eleitoral. Cada Estado possui um peso distinto no Colégio Eleitoral. A Calfórnia, maior Estado, possui 55. Vermont, um dos menores, apenas 3. No total, é preciso obter 270 votos no Colégio Eleitoral para ser eleito presidente. E, se vencer em um Estado, você leva todos votos deste Estado no Colégio Eleitoral. Por exemplo, se você vencer em Oregon por 1% de diferença, ainda assim terá 100% dos votos de Oregon no colégio eleitoral.

Há três tipos de Estado. Os solidamente democratas (Califórnia e Nova York, por exemplo), os solidamente republicanos (Texas) e os swing states, sem predomínio de nenhum dos partidos. Alguns swing states pendem para os democratas. Outros, para os republicanos. Ohio e Florida, no entanto, são basicamente divididos ao meio. Por este motivo, são os mais importantes.

Em 2012, Obama teve 332 votos no Colégio Eleitoral. Mitt Romney, seu rival republicano, obteve 206. Imagine que Donald Trump consiga manter todos os Estados de Romney. E, além disso, vença Ohio e Florida. Neste caso, terá mais 47 votos no Colégio Eleitoral – 29 da Florida e 18 de Ohio. No total, será 253. Número insuficiente para ser eleito presidente.

Para vencer, Trump precisaria de um swing state grande com 17 votos ao menos ou dois um pouco menores que somem mais de 17. A Pensilvânia tem 20, mas Obama venceu neste Estado por cinco pontos em 2012. Wisconsin e Virginia juntos? Bem difícil. Pode substituir um destes dois por Michigan. Ainda assim complicado. E, se perder no Arizona, o que é possível, precisaria levar os três.

Não será uma tarefa simples em nenhum deles, que tem cada vez mais pendido para os democratas – vale lembrar que, desde 1992, os republicanos venceram apenas uma eleição no voto geral, em 2004, com Bush. Em 2000, o ex-presidente perdeu de Al Gore em total de votos, mas venceu no colégio eleitoral por ter levado a Florida por algumas centenas de votos.

Neste momento, preste atenção mais às bolsas de apostas britânicas. A probabilidade de vitória de Hillary é de 2 para 1 (65%). A de Trump, 30%. Já foi melhor para a democrata. Semanas atrás, era de 75% contra 20% de Trump (5% de Sanders e outras probabilidades). Claramente o republicano subiu neste caso, mas está longe de ultrapassar Hillary.

Portanto, Hillary é favorita para ser presidente dos EUA, mas Trump tem uma chance de surpreender. Caso você tenha certeza de que “Trump vai ganhar”, recomendo colocar dinheiro nas bolsas de aposta. Seu dinheiro pode triplicar até novembro.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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