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Afinal, como opera o Hamas e quem arma este grupo?

gustavochacra

31 de julho de 2014 | 16h00

Há pelo menos cinco braços do Hamas. Todos possuem subdivisões entre facções internas. Trata-se de uma organização bem menos coesa do que o Hezbollah. Por este motivo, fica complexo entender algumas de suas decisões. Mas, mesmo assim, vale observá-los para ver como opera o Hamas

1. Braço Político do Hamas em Gaza – É quem de fato governa a Faixa de Gaza e enfrenta desafios comuns a qualquer administração ao redor do mundo, com a diferença de enfrentar um bloqueio terrestre imposto por Israel e Egito e marítimo e aéreo imposto por Israel

2. Braço Armado do Hamas em Gaza – São justamente as forças que lançam as centenas de foguetes (mais de 2 mil no atual conflito) contra Israel. Seus militantes são os que lutam contra os soldados israelenses dentro do território

3. Braço do Hamas no Exílio – Antes, se concentrava na Síria. Depois de traírem Bashar al Assad e apoiarem os rebeldes, foram para o Qatar. São os principais responsáveis para conseguir fundos para o grupo e servir de porta-voz (alguns estão em Beirute)

4. Braço do Hamas na Cisjordânia – Ultra monitorado por Israel e pela Autoridade Palestina, serve como canal de diálogo com o Fatah e representa o grupo em cidades como Nablus, Ramallah e Jenin

5. Braço do Hamas nas prisões de Israel – São os membros do grupo detidos pelos israelenses. Muitas ações do grupo visam a libertação deles. Servem também de interlocutores informais com as forças de segurança israelenses

Dependendo do período, um braço possui mais força do que o outro. Até alguns meses atrás, quando houve acordo com o Fatah, o braço político e o braço no exílio viram como satisfatório apoiar um governo tecnocrático, sem membros do grupo e reconhecendo Israel. Desde o início do conflito, o braço armado, conhecido como Brigadas Qassam, ganhou força. É este braço que rejeitou inicialmente o cessar-fogo proposto pelo Egito. E o Qatar e a Turquia possuem pouca influência sobre as brigadas

 

O Irã rompeu com o braço político do Hamas e o braço no exílio quando eles optaram por trair Assad e apoiar os rebeldes na Síria. O Hezbollah também não tolerou esta decisão do Hamas. Hoje, o regime de Teerã está mais preocupado em combater o ISIS e a Al Qaeda no Iraque enquanto o Hezbollah ajuda Assad a combater o ISIS e a Al Qaeda na Síria. Gaza perdeu importância para ambos. As Brigadas chegaram a ser ajudadas pela Irmandade quando esta estava no poder no Egito. Mas viu este apoio evaporar com a chegada do regime do Marechal Sissi, principal aliado de Israel, ao poder no Cairo

Então quem está por trás do Hamas? Eu trabalho com duas hipóteses

a) Hoje há informações do que as Guardas Revolucionárias do Irã, apesar da insatisfação de Assad e do Hezbollah, estariam se reaproximando das Brigadas Qassam desde o começo do ano. Já as declarações do líder do Hezbollah, xeque Nasrallah, são apenas retóricas e visam apenas tentar elevar novamente a imagem do grupo, extremamente deteriorada no mundo árabe pelo apoio a Assad – elas não significam uma reaproximação do Hezbollah com as Brigadas

b) Além disso, vale lembrar, existem traficantes internacionais de armas que não se interessam por ideologia e vendem para quem quiser pagar. Há muitas armas circulando, depois da intervenção da OTAN na Líbia e do armamento de grupos rebeldes na Síria. Uma hora, elas chegam até Gaza se Hamas pagar. E parte do dinheiro viria do desvio de ajuda financeira do Qatar

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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