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Afinal, os árabes e os muçulmanos odeiam os EUA?

gustavochacra

16 de setembro de 2012 | 17h56

A população dos países árabes e muçulmanos odeia os Estados Unidos? Não, em sua maior parte, admira (como o resto do mundo). Primeiro, eles admiram a educação americana (c0mo o resto do mundo). Prova disso são os investimentos das nações do Golfo para atrair instituições como Georgetown, Cornell e NYU. Sem falar nas centenárias Universidade Americana de Beirute e Universidade Americana do Cairo. Em Gaza, a escola mais tradicional, cuja sede foi destruída na guerra de 2009 entre Israel e o Hamas, também é americana. A elite e mesmo a classe média alta costuma enviar seus filhos para estudar nos EUA (como o resto do mundo).

E, segundo lugar, os árabes (como o resto do mundo) também gostam da tecnologia americana. São ávidos usuários das redes sociais e também de celulares, computadores e tudo de inovação que aparecer. A medicina é outro ponto de admiração por parte da população destas nações. Visite um hospital em Nova York e San Francisco e, certamente, entre os residentes, encontrará muitos nascidos no Líbano, Egito e mesmo Arábia Saudita.

Ao mesmo tempo, a população árabe, em sua maioria, discorda da política externa dos EUA. Não há grandes problemas. No Brasil, quando George W. Bush era presidente, também havia uma antipatia em relação ao papel internacional americano. Quando Barack Obama assumiu, embora ele tenha mantido grande parte da política de Bush, acentuando alguns pontos como a Guerra do Afeganistão e os assassinatos seletivos, os brasileiros passaram a gostar mais dele.

Por último, existe sim uma parcela da população árabe que é anti-americana por puro preconceito. Não gostam porque não gostam, como racistas, anti-semitas e islamofóbicos. No Brasil, França, China, Rússia, Espanha também há muita gente assim. Não é algo restrito a árabes e muçulmanos.

Resumindo, o problema não é ser árabe ou muçulmano. O problema são grupos radicais compostos por árabes e muçulmanos que são violentos e acabam provocando uma imagem negativa do restrante da população destas nações.

Este artigo do Michael Young, no Daily Sytar, tem um ponto de visto interessante também

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra

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