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Al Qaeda e norte substituem Hezbollah e sul como focos de tensão no Líbano

gustavochacra

29 de setembro de 2008 | 06h32

Até pouco tempo atrás, a região que mais provocava tensão no Líbano era o sul. Hoje, a fronteira com Israel está calma e já há algum tempo o Hezbollah, que controla esta área, tem evitado combates. Neste ano, a única grande notícia que saiu de lá foi a troca de prisioneiros com os israelenses.

Já o norte do Líbano se tornou uma região instável, com conflitos sectários, emergência de grupo ligados à Al Qaeda e enorme tensão com um outro o país vizinho – a Síria.

O atentado de hoje em Trípoli foi o segundo em menos de dois meses na cidade e desta vez alvejou soldados libaneses. Para complicar, a ação acontece após ataque terrorista em Damasco ter matado 17 pessoas no sábado em uma operação rara em território sírio.

Como ninguém sabe ao certo o que está ocorrendo, a saída mais fácil é acusar a Al Qaeda, que é um inimigo sem rosto – sem falar naqueles árabes que acham que até quando chove a culpa é do Mossad.

Mas, neste caso, é melhor esperar um pouco e ver o que ocorreu na região de Trípoli desde o ano passado. Primeiro, desde 2006, um grupo ligado à Al Qaeda chamado Fatah al-Islam, que para muitos era apoiado pela síria e para outros a sunitas libaneses que controlam o governo, começaram a dominar o campo de refugiados de Naher el Bared. Quando a situação ficou insustentável, o Exército libanês, com o apoio da ampla maioria da população do país, lançou uma mega-operação contra o grupo que deixou dezenas de mortos lado a lado.

Neste ano, emergiu um novo conflito envolvendo alauítas e sunitas. Os dois seguem vertentes diferentes do islã. Os alauítas são uma minoria no Líbano, mas contam com o apoio do regime sírio de Bashar al Assad, ele próprio um alauíta. Porém, há poucas semanas, Saad Hariri, que é o principal líder sunita do Líbano, chegou a uma trégua com as lideranças alauítas de Trípoli – uma cidade majoritariamente sunita.

Mas, segundo relatos da imprensa libanesa, a situação continuou tensa na cidade. Para piorar, a Síria mobilizou 10 mil soldados para a fronteira norte do Líbano e, recentemente, em encontro com o presidente libanês Michel Suleiman, Assad alertou que, os libaneses não fizessem nada, os sírios seriam obrigados a intervir contra os sunitas de Trípoli.

No sábado, teve o atentado em Damasco. Hoje, em Trípoli. Agora, todos estão esperando pelo próximo episódio de um raro conflito na história recente libanesa que não envolve o Hezbollah.

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