Alexandria é uma cidade do tempo em que o Brasil era sinônimo de café
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Alexandria é uma cidade do tempo em que o Brasil era sinônimo de café

gustavochacra

23 de março de 2009 | 08h12

Alexandria é uma cidade da época em que o Brasil ainda não era sinônimo de futebol. Quando falavam o nome do nosso país, imediatamente o associavam ao café. Até hoje, na mágica cidade egípcia, existe o café Brasil. Como vários outros ao redor do cenário que serviu para Lawrence Durrell escrever “O Quarteto de Alexandria”, está praticamente parado no tempo. Nas paredes, há mapas antigos do Brasil e até imagens de banana, no melhor estereótipo Carmen Miranda. Mas também houve avanço, como os garçons vestidos com camisas da seleção brasileira com o nome de Robinho nas costas.


Entrada do café Brasil, em Alexandria (desde1929)

O barista é Mahmoud, que preparou o melhor capuccino que já bebi na vida. Deve ter entre 70 e 80 anos. Diferentemente de cafés vizinhos, onde as cadeiras, mesas e clientes são os mesmos há décadas, o café Brasil, mesmo com seu estilo anos 1930, se tornou ponto de encontro da juventude de cidade. Jovens que são bem mais conservadores do que os personagens de Durrell. Justine, Balthazar, Mountolive e Clea são de uma Alexandria que não existe mais.

Nos próximos dias, voltarei a falar de Alexandria, de sua decadência, de sua história grandiosa e cosmopolita e, claro, de suas bibliotecas – a maior da antiguidade e a atual.

Obama, Khamanei e Israel

A melhor análise que li sobre o discurso do presidente Obama e a resposta do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamanei, foi escrita por Roger Cohen, colunista de relações internacionais do “The New York Times”. O jornalista passou os meses de janeiro e fevereiro em Teerã. E conhece bem Israel. O artigo “From Tehran to Tel Aviv” pode ser lido aqui.

Entre outros pontos, Cohen afirma que Obama abandonou o objetivo de mudança de regime no Irã, aceitou explicitamente a existência de uma república islâmica, afirmou que ela deve ocupar seu lugar na comunidade das nações e ofereceu respeito mútuo entre os dois países.

A resposta dura de Khamanei, afirmando que espera ver ações e não palavras dos americanos, segundo Cohen, não significa que o Irã não levou a sério a declaração do presidente americano. Ao contrário, afirma o colunista, os líderes iranianos são tudo menos loucos. Para Cohen, a aceitação iraniana para ir a uma conferência sobre o Afeganistão é mais importante do que a resposta.

Para completar, Cohen diz que “a nova diplomacia iraniana para o Oriente Médio envolverá a contenção da belicosidade israelense e um provável esfriamento nas relações entre Estados Unidos e Israel. Já é o momento.A política americana ‘Israel-não-faz-nada-de errado’ tem sido desastrosa, inclusive para a segurança israelense no longo prazo”.

O Hezbollah e o atentado em Haifa

Jornais israelenses afirmam que fontes da Autoridade Palestina possuem informações de inteligência indicando que o grupo libanês Hezbollah, com o apoio do Irã, estaria por trás de tentativa de atentado terrorista com um carro-bomba em shopping de Haifa. A ação seria uma vingança pela morte de Imad Mughnyieh, comandante militar da organização xiita, morto no ano passado em ataque em Damasco.

Esta informação merece uma análise mais detalhada. Primeiro, é certo que membros da Autoridade Palestina passaram esta informação para o Haaretz e outros órgãos de imprensa de Israel. O Fatah é quem controla o governo palestino e a organização não simpatiza com o Hezbollah. Os dois estão em campos opostos na “Guerra Fria” do Oriente Médio. O Fatah é mais próximo da Arábia Saudita e, acima de tudo, da coalizão 14 de Março, no Líbano, que é rival política do grupo xiita. A disputa eleitoral libanesa está quente e os adversários do Hezbollah sabem que a organização poderia perder apoio especialmente entre os cristãos de Michel Aoun, seu principal aliado, em caso de instabilidade na fronteira com Israel.

Em segundo lugar, muitos em Beirute dizem que o alvo de uma resposta do Hezbollah não seria exatamente em Haifa, mas provavelmente em Damasco. Afinal, na capital libanesa, integrantes do regime sírios são suspeitos de, no mínimo, terem ajudado os assassinos de Mughnyieh. As relações entre o grupo e o regime de Assad já não são as mesmas há algum tempo.

Para finalizar, o Hezbollah, em toda a sua história, jamais cometeu um atentado com bomba dentro de Israel – sem contar ações na fronteira. Todos os ataques suicidas do grupo – onze, segundo Robert Pape, da Universidade de Chicago – tiveram como alvo militares israelenses e seus aliados de milícias libanesas dentro do território do Líbano. Houve sim, na Guerra de 2006, lançamento de mísseis contra cidades de Israel, inclusive Haifa.

Estes três fatores não descartam a possibilidade de o atentado ter sido organizado pelo Hezbollah. Apenas servem para esclarecer que, se o grupo xiita estiver por trás, será uma grande mudança na sua estratégia. Mais do que isso, serviria, certamente, como estopim para mais uma guerra no Líbano.

Além do Hezbollah, não se pode descartar o Hamas e outros grupos palestinos, esta suposta nova organização denominada Galiléia Livre, que seria composta por árabes israelenses, ou – e não sei porque não falam mais disso –, a Al Qaeda.

Netanyahu busca amenizar declaração de Lieberman sobre Mubarak

Emissários do provável futuro premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, tentam mostrar ao Egito que as relações entre os dois países não serão prejudicadas caso o anti-árabe Avigdor Lieberman seja o futuro ministro das Relações Exteriores de Israel. No Egito, Lieberman é simplesmente odiado e acusado de racista. Em outubro, em discurso no Knesset (Parlamento de Israel), o líder direitistas disse que, caso Mubarak não quisesse visitar Israel, poderia ir “para o inferno”. Desde que assumiu o poder, no início dos anos 1980, o presidente esteve em Israel apenas para o funeral de Yitzhac Rabin.

Nesta semana, os dois países celebram 30 anos dos acordos de Camp David. O Egito garantiu que não boicotará a comemoração. Ontem, os egípcios impediram a entrada de explosivos na fronteira com a Faixa de Gaza. No fundo, os dois lados sabem que apenas perderiam se as relações piorassem.

Armênios são cortejados no Líbano

Os armênios são considerados a chave para a vitória na disputa eleitoral libanesa em 7 de junho. Durante todo o fim de semana, líderes políticos armênios se reuniram com membros das duas facções rivais libanesas. Até pouco tempo atrás, eles eram aliados da 8 de Março, composta pelos cristãos seguidores de Michel Aoun e da família Franjieh, xiitas da Hezbollah e da Amal, sunitas pró-Síria e druzos simpatizantes da família Arslan. Mas, aos poucos, o diálogo avança com a 14 de Março, dos sunitas de Saad Hariri, os cristãos ligados à Phalange de Amin Gemayel e às Forças Libanesas de Samir Gaegea, e os druzos de Walid Jumblat.

Choveu no Cairo

Foram cinco minutos e gotas bem fracas. Menos do que uma garoa. Mas choveu aqui no Cairo

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