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Alguns jovens palestinos de Israel se sentem israelenses

gustavochacra

10 de agosto de 2009 | 15h24

Em 2004, George Khoury, um jovem árabe cidadão de Israel, foi assassinado em um atentado quando corria em uma área judaica de Jerusalém. Os terroristas, em tempos da Intifada, pensaram que ele fosse um judeu israelense – o que não diminuiria a tragédia. A diferença é que o avô de George fora um grande ativista palestino e seu pai, advogado, luta até hoje na Justiça de Israel para defender palestinos que têm suas terras confiscadas por israelenses.

Meses depois da sua morte, conversei com seus melhores amigos, pai e irmão em viagem que fiz a Jerusalém. Todos o descreveram como um estudante brilhante de Relações Internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém, pianista e poliglota, com amigos judeus, muçulmanos e cristãos (sua religião). Diferentemente do irmão, que estudou na St Andrews, na Escócia, ele preferiu ter uma educação israelense. Algo cada vez mais comum para os jovens árabes de Israel. Nascidos como minoria, começam a agir como minoria. Repetem os judeus da diáspora, buscando crescer na vida através da educação e, aos poucos, conseguem destaque.

Sayed Kashua, um colunista árabe-israelense do Haaretz, escreveu em sua coluna deste fim de semana que seus filhos lêem livros e escutam música em hebraico. Mais do que isso, chegam a conversar em hebraico entre si, apesar de se dirigirem aos pais em árabe. No texto, ele chega a ironizar ao dizer que seus filhos acham que são judeus.

Os árabes de Israel, conforme escrevi aqui outra época, aos poucos perdem os laços com os palestinos da Cisjordânia. E estes com os de Gaza e também com os do Líbano. Hoje, são tão diferentes como os mexicanos da Califórnia dos de Monterrey. Isto é, um árabe de Haifa está mais próximo de um judeu de Haifa do que de um palestino de Gaza.

Esta integração ocorre ao mesmo tempo que emergiu a liderança anti-árabe do ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman. Mas o chanceler não representa a opinião da maioria israelense. De acordo com pesquisa publicada no Haaretz deste fim de semana, 33% dos israelenses possuem uma visão negativa dos árabes de Israel. O número pode parecer elevado, mas é quase igual aos que tem uma imagem ruim dos judeus ortodoxos (32%), colonos (27%) e homossexuais (27%).

Os árabes de Israel, com o tempo, aparentemente, podem se parecer com os armênios do Líbano, que mantêm a cultura própria, a língua, mas aceitam ser libaneses, bem integrados à sociedade. A não ser que o racismo cresça e esta geração de palestinos que falam hebraico seja colocada na marginalidade e se radicalize.

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