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Aliados ao Hezbollah, cristãos ortodoxos pró-Síria renascem fortes em Beirute

gustavochacra

17 de abril de 2009 | 14h50

O jornalista americano Chistopher Hitchens escreveu artigo na revista Vanity Fair de maio (Gisele Bundchen na capa), relatando o episódio em que ele foi agredido em Hamra, uma das mais movimentadas áreas de Beirute. Ao caminhar por uma das ruas repletas de cafés, livrarias e universitários, Hitchens se deparou com um símbolo que, na visão dele, se parecia com uma suástica. Decidiu escrever um xingamento ao lado do símbolo do Partido Social Nacionalista Sírio (PSNS). Quando terminava a palavra “fuck”, foi pego pelo camisa e praticamente linchado por membros desta organização política.

Semanas depois do incidente, o site libanês Now Lebanon, ligado à coalizão governista 14 de Março, publicou reportagem na qual afirma que o PSNS tomou o controle da região de Hamra. Integrantes da organização são os donos do território e interrogam pessoas que circulam pela região, diz o texto. Blogs e outros jornais libaneses também destacaram o recente crescimento da presença do PNSS, especialmente na Bliss, que é a rua da Universidade Americana de Beirute.

Historicamente, Hamra é uma área mista, apesar de majoritariamente sunita. Sempre teve um caráter boêmio e estudantil. Os correspondentes estrangeiros, durante a Guerra Civil (1975-90), optavam por residir em Hamra, em hotéis como o Mayflower e o Comodore. Eu vivi nesta que é uma das partes mais charmosas de Beirute.

Em maio de 2008, o Hezbollah tomou as ruas de Hamra em um cenário de guerra civil e obrigou as milícias sunitas presentes na região se renderem. E o controle passou para as mãos PNSS. Este partido não é xiita. Foi fundado por um sírio-libanês denominado Antoun Saadeh, que viveu por muitos anos no Brasil. A maior parte de seus integrantes é cristã ortodoxa. A ideologia do partido sempre foi contra a formação de um Líbano ou de uma nação pan-arabista. Desta forma, Saadeh nunca simpatizou com organizações como a Phalange, na época controlada por Pierre Gemayel, que defendia um Líbano autônomo da Síria. Tampouco apoiava os ideais pan-arabistas do egípcio Gamal Abdel Nasser.

Na visão de Saadeh, deveria existir uma grande Síria, que incluiria os atuais territórios sírio, libanês, israelense, palestino e partes da Jordânia, do Iraque e da Turquia. Durante a guerra civil, membros do partido realizaram ataques suicidas contra forças israelenses. Inclusive uma mulher cristã, o que joga por água abaixo a teoria equivocada de que apenas muçulmanos se matam por uma causa.

Esta nova onda de violência do PSNS coloca em risco a comunidade cristã ortodoxa, conhecida por sua neutralidade e pela via pacífica que sempre adotou na política libanesa. Hitchens, corretamente, deixou claro no artigo que o PSNS é majoritariamente cristão ortodoxo. É uma pena que esta organização política siga agindo desta forma, manchando o nome de Hamra e dos ortodoxos.

Palestras

21 de abril – Habonim Dror (restrita a membros da juventude judaica do Brasil)- às 13h30
22 de abril – Clube Paulistano (restrita a sócios e convidados de sócios)- às 20h
23 de abril – Clube Monte Líbano (restrita a sócios e convidados de sócios)- às 20h30
29 de abril – Clube Sírio (aberta ao público) – a definir

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