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Ameaça de ataque de Israel busca convencer China e Rússia a apoiar resolução anti-Irã

gustavochacra

16 de novembro de 2011 | 12h24

no twitter @gugachacra

A comunidade internacional não quer que o Irã tenha uma arma nuclear. Este ponto é um consenso entre o Ocidente e o BRICS. E, para tentar evitar o acesso do regime de Teerã a uma bomba, existem duas vias – a militar e a diplomática.

A primeira, na avaliação de uma série de diplomatas e analistas com quem converso, é inviável neste momento. No segundo caso, uma vitória pode ser conseguida através da intensificação ou não das sanções. Neste momento, dentro do Conselho de Segurança, os EUA, Grã Bretanha e França são a favor de uma quinta resolução contra o Irã. Rússia e China, que também possuem poder de veto, são reticentes.

Tanto Moscou quanto Pequim realizam negócios com os iranianos e dizem acreditar na manutenção do diálogo. Os chineses, inclusive, elevaram em 50% o volume de compra de petróleo de Teerã, seu terceiro maior fornecedor. Como as sanções propostas se focariam justamente no setor petrolífero, de transportes e financeiro, a China sofreria um duro golpe. Mais importante, uma bomba nas mãos dos iranianos não seria o fim do mundo para o país asiático, já que esta não seria jamais usada contra seus interesses.

Para convencer a China, EUA e seus aliados europeus usam a ameaça israelense. Assim, tentam mostrar a Pequim que, sem uma posição mais dura em relação ao Irã, os custos se elevarão muito mais com uma guerra envolvendo Israel e talvez toda a região. O preço do petróleo iria disparar, afetando ainda mais a economia chinesa.

Com a China e a Rússia apoiando uma resolução que estrangularia a economia iraniana, os EUA e seus aliados acreditam que Teerã passaria a enxergar mais benefícios em negociar um acordo, abdicando de seu programa nuclear.

Basicamente, o Ocidente usará a ameaça de um ataque militar de Israel ao Irã para convencer a China e a Rússia a apoiarem uma resolução contra Teerã e, desta forma, pressionarem os iranianos a aceitar um acordo.

Não é à toa que, no último mês, foram divulgados os supostos planos do Irã para matar o embaixador saudita, vazaram as informações de um suposto ataque israelense e publicaram um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica praticamente comprovando os fins militares do programa nuclear iraniano.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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