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American decreta concordata no aniverário de 20 anos do último voo da Pan Am, que está na moda

gustavochacra

29 de novembro de 2011 | 12h50

 no twitter @gugachacra

A American Airlines decretou concordata duas décadas depois do último vôo de um avião da Pan-Am. Ironicamente, justamente agora, a mais célebre companhia aérea americana voltou à moda nos Estados Unidos, ainda que bem distante de aeroportos como o JFK. De fantasia mais disputada no Halloween de Nova York deste ano a uma série campeã de audiência na TV lançada no mês passado, a marca da antiga gigante da aviação mundial se transformou literalmente em um símbolo vintage e passou dar lucro.

Uma mala pequena com o logotipo da Pan-Am custa US$ 300. Um relógio, US$ 120. Dá até para comprar um porta passaporte por pouco mais de US$ 20 na internet. Também é possível adquirir os produtos em lojas espalhadas pelos Estados Unidos. Alguns destes acessórios pertencem a uma linha exclusiva desenhada pelo estilista Marc Jacobs.

Na TV, o programa da ABC, uma das três gigantes da TV americana, é exibido todas as noites de domingo. As estrelas são as aeromoças e os pilotos da companhia nos anos 1960 e 70. Parte da trama passa dentro dos aviões, onde era possível fumar à vontade, com os passageiros vestindo algumas de suas melhores roupas e sem a necessidade de passar a mala por aparelho de raio-x ou ter de atravessar um detector de metal sem os sapatos.

Mesmo as antigas concorrentes se aproveitam do renascimento da marca. A Delta, que comprou parte do espólio da Pan Am depois da falência em 1991, é um dos principais patrocinadores da série da ABC. Renée Whitworth, sócia de uma agência de branding de Nova York, explica que a “Pan Am era antes uma marca de aviação. Agora, se tornou ligada ao entretenimento e de uma forma vaga a viagens, mas não a aviões”.

Os direitos da marca Pan Am pertencem a uma empresa que atua na área ferroviária com base em New Hampshire e foram adquiridos depois da falência da empresa. Inicialmente, eles chegaram a abrir uma companhia aérea com este nome que fazia vôos locais. Mas a crise de 2008 levou à interrupção destes planos. Nesta mesma época, os produtores da série de TV entraram em contato para o realização do programa, mas as negociações demoraram alguns anos até ser concretizada.

Em recente entrevista, a diretora de marketing da Pan Am, Stacy Beck, disse que a marca é “atemporal, inovadora, com estilo. Gerações mais antigas a consideram nostálgica. Eles lembram da Pan Am e chegaram a voar pela companhia. Era uma época em que nos vestíamos para voar e vôo era uma aventura tão importante quanto o destino. Já os mais jovens consideram o nome retro e descolado”.

Pette Runnette, presidente da Fundação Histórica Pan Am, afirma que a a empresa “representava uma visão do que uma companhia aérea poderia ser. Os que trabalhavam na Pan Am e os que voavam na Pan Am desfrutavam de uma experiência que representa o melhor que os Estados Unidos poderiam ser e o melhor que os americanos poderiam oferecer ao mundo”.

O primeiro vôo da Pan Am aconteceu em 1927, para Cuba. E o último, em 1991. A companhia também foi marcada por ter sido alvo de um atentado terrorista nos anos 1980, em Lockerbie, na Escócia. O então líder líbio, Muamar Kadafi, morto no mês passado, foi acusado de ser o mentor do ataque. Depois de anos de sanções, ele concordou em pagar indenizações às vítimas, mas nunca assumiu o envolvimento.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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