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Andar pelas ruas de Beirute

gustavochacra

06 de outubro de 2008 | 18h52

Como hoje é meu último post em Beirute, ele é um pouco mais longo porque decidi descrever um passeio de despedida pela cidade. No sábado, mais para o fim da tarde, quando a temperatura já estava começando a diminuir, deixei o meu hotel com o objetivo de andar por um circuito que englobasse os bairros mais conhecidos de Beirute.

Hamra, onde fica o hotel, é na verdade o bairro que se expande ao redor desta rua que significa vermelho em árabe. Apesar do nome, pelo menos até onde eu sei, não é a região de prostituição da cidade. Na verdade, Hamra é uma área que se tornou uma espécie de “centro” com a destruição do verdadeiro centro na guerra civil. Tem bancos, alguns ministérios, muitos hotéis, o clima estudantil da Universidade Americana de Beirute (leiam tópico a respeito) e, acima de tudo, seus cafés.

Um dos mais agradáveis é o Younes, que é dividido em duas partes. Uma, na esquina, onde há máquinas de café de séculos atrás e grãos do Brasil e da Colômbia. Já o que fica no meio do quarteirão, em uma transversal da Hamra, se parece com esses cafés mais ou menos cosmopolitas que são inaugurados por todas as grandes metrópoles do mundo. Várias opções de chá e café, wireless para internet, cadeiras e sofás dividindo espaço, exposição de arte e muita gente jovem que se encaixa naquele perfil descolado da “AUB”.

Saindo de Hamra, após andar por uns bons 20 minutos, cheguei a Verdun. Trata-se, ao me ver, da “Dubai” dentro de Beirute. Tem todas as lojas conhecidas no Ocidente, mas, muitas vezes, vendendo hijabs caríssimos. Uma área que é sofisticada e religiosa ao mesmo tempo.

Verdun, que nesses dias estava lotada de visitantes dos países de golfo, termina mais ou menos no Rauche. O Rauche é uma ilha de rocha maravilhosa, gêmea de outra em Capri, com uma “túnel” no meio. Ao redor, há vários cafés turísticos para observar essa pedra. Alguns libaneses mais jovens descem as pedras até entrar no mar e nadar perto do Rauche.

Seguindo pela orla, que nesta parte da cidade fica bem acima do nível do mar, começo a descer até chegar a Manara – que, como diz o nome em árabe, é o farol de Beirute. Ao redor da Manara, há clubes como os que eu descrevi no post “nadar no mar de Beirute”. Da Manara, tem início o Corniche, que é um calçadão idêntico ao Malecon de Havana.

O fim do Corniche é uma zona hoteleira de alto padrão, perto da marina. Entre eles, se destaca o Phoenicia, que equivale ao Copacabana Palace de Beirute. Foi destruído na guerra civil, mas já há alguns anos foi reaberto. O São George, que fica em frente, continua como um esqueleto da guerra civil, mas que foi ainda mais destroçado pelo mega atentado que matou o ex-premiê Rafik Hariri ali naquele mesmo lugar. Apesar disso, ao lado deste macabro edifício, há um clube com piscina e restaurante.

Depois da marina, começa a área do centro reconstruído, o Solidere ou centre-ville. As ruas são organizadas e sinalizadas e todos os prédios reformados ou novos. A maioria dos turistas ruma para lá. Porém não é um dos lugares preferidos dos moradores de Beirute, como Gemeizeh, ali do lado.

Mas, se em vez de ir para a Vila Madalena de Beirute, a pessoa decidir subir as ruas após o centro, ela cairá em Ashrafyeh, que, com suas lindas igrejas e ruas intocadas, é o lugar mais elegante de Beirute. Especialmente a rua Abdul Wahab al Inglisi, com seus charmosos restaurantes, lojas e prédios de apartamentos.

Subindo por esta mesma rua, termino o passeio em Sessine, uma praça sem árvores que é o marco principal do lado cristão.Em uma das esquinas, fica shopping ABC, o mais moderno da cidade e que tem as melhores salas de cinema. Mas que não tem nenhum filme libanês em cartaz – aliás, aguardem em breve um post sobre cinema no Líbano.

Enfim, queria escrever mais, mas ficaria o post ficaria longo demais. E, para os que conhecem Beirute, por favor, postem nos comentários os seus lugares preferidos na cidade. Ainda que sejam aqueles prédios abandonados com buracos de bala por toda parte, que são a cicatriz para os libaneses nunca esquecerem da guerra civil.

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